Continuamos a eleger autarcas corruptos… e ninguém se incomoda...

Olha à tua volta. Muitos políticos que já provaram ser corruptos voltam ao poder. Não é acaso. Não é burrice pura. É familiaridade, emoção manipulada, impunidade. Puro ciclo vicioso.

A memória é curta. O político já esteve no poder, fez obras, sorriu, apertou mãos. O erro passado? Esquecido. Relativizado. Ignorado. O desconhecido parece arriscado. E o corrupto? Familiar. Seguro. Confiável. Pelo menos é isso que o cérebro nos diz.

O voto fragmentado ajuda. Em eleições com vários candidatos, basta uma base sólida e fiel. O resto dispersa-se. O resultado é óbvio: o corrupto sobrevive, vence, repete o ciclo.

O populismo é letal. Promessas fáceis, dinheiro rápido, obras vistosas. Ele toca na emoção, não na razão. E nós, cansados da burocracia, do estado lento, escolhemos o que traz ganho imediato. Ignoramos o passado. Ignoramos a integridade.

A impunidade é a chave. Sem prisão, sem perda de mandato, sem multas pesadas, o eleitorado conclui: “se voltou, então deve ser aceitável”. E assim, a corrupção normaliza-se. Passa a rotina. Passa a cultura. Passa a política.

No fundo, não é só política. É psicologia, é sociedade, é hábito. Memória curta, confiança manipulada, divisão de votos e impunidade formam um terreno fértil. E o mundo político cresce nesse terreno, enquanto cidadãos cansados e distraídos continuam a dar-lhe o aval que precisa para existir.

E a vida continua.... Mal, mas continua.

António Rosa Santos