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Zelensky espera mais trocas de prisioneiros em breve

Ontem, Zelensky, reuniu com o Secretário Geral da NATO, Mark Rutte. 
Ontem, Zelensky, reuniu com o Secretário Geral da NATO, Mark Rutte. , Foto EPA

O Presidente ucraniano indicou hoje que espera em breve novas trocas de prisioneiros com a Rússia, no dia em que arrancaram as negociações tripartidas sobre o fim do conflito na Ucrânia em Abu Dhabi.

Volodymyr Zelensky afirmou, na declaração diária, que, à luz do primeiro dia de contactos com as delegações de Moscovo e Washington, na capital dos Emirados Árabes Unidos (EAU), uma nova troca de prisioneiros poderá ocorrer "num futuro próximo".

As trocas de prisioneiros entre as duas partes estiveram entre os poucos resultados concretos das negociações indiretas ao longo de 2025 entre delegações de Kiev e Moscovo.

"Haverá também um passo importante: prevemos uma troca de prisioneiros num futuro próximo. Devemos trazer os nossos prisioneiros para casa", disse o líder ucraniano após o primeiro dia de reuniões nos EAU, que se prolongarão na quinta-feira.

Zelensky insistiu porém que o objetivo de Kiev é o fim da guerra e alertou que a Rússia também deve se deve preparar, pedindo aos parceiros que aumentem a pressão sobre o Kremlin para que aceite um acordo de paz.

Nesse sentido, reafirmou a exigência de garantias de segurança reais para que a Ucrânia não seja novamente invadida após o fim da guerra, desencadeada por Moscovo em fevereiro de 2022.

Volodymyr Zelensky reforçou que o povo ucraniano deve sentir que "a situação está realmente a caminhar para a paz, para o fim da guerra", e não que os russos estejam a explorar o processo negocial em seu benefício para continuar a atacar.

Os enviados de Moscovo e Kiev reuniram-se para mais uma ronda de negociações mediadas pelos Estados Unidos no dia em que a Rússia voltou aos ataques aéreos em grande escala no país vizinho que, segundo as autoridades locais, recorreram a munições de fragmentação num mercado em Donetsk, onde morreram pelo menos sete pessoas.

"O trabalho foi substancial e produtivo, focado em etapas concretas e decisões práticas", comentou o chefe da representação ucraniana, Rustem Umerov, na rede social Telegram, após o primeiro dia dos contactos trilaterais.

Umerov, que é secretário do Conselho de Segurança Nacional da Ucrânia, indicara anteriormente que as negociações, planeadas para dois dias na capital dos EAU, começaram com a presença das três delegações e os trabalhos vão continuar "em grupos separados, focados em temas específicos, seguidos de uma reunião conjunta de sincronização".

A delegação russa é liderada pelo chefe do serviço de informações militares, almirante Igor Kostiukov, que chegou na terça-feira à noite a Abu Dhabi.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que "as portas para uma solução pacífica estão abertas", mas Moscovo prosseguirá com a campanha militar até que Kiev aceite as exigências russas.

As primeiras discussões trilaterais, no mês passado em Abu Dhabi, produziram alguns progressos, mas nenhum avanço nas questões-chave, segundo as partes, que continuam separadas em relação ao futuro das regiões no leste da Ucrânia reivindicadas por Moscovo.

Além de rejeitar o recuo dos seus militares das frentes do Donbass, Kiev insistiu na obtenção das garantias de segurança, que merecem oposição da Rússia, argumentando que não vai aceitar a presença de tropas ocidentais no país vizinho.

Russos e ucranianos iniciaram, em 23 e 24 de janeiro, nos EAU, conversações neste formato trilateral com a mediação do enviado da Casa Branca, Steve Witkoff, e Jared Kushner, genro do Presidente norte-americano, Donald Trump, e também envolvido no processo de paz, a partir de um plano inicial proposto por Washington e entretanto revisto.