Deputado do Chega diz que relatório da UE reforça crítica à gestão agrícola na Madeira
O deputado madeirense eleito pelo Chega (CH) à Assembleia da República, Francisco Gomes, garante que as suas críticas à "forma como tem sido gerida a agricultura na Região Autónoma da Madeira", marcada por "falhas estruturais graves", são "confirmadas pelo Relatório Especial 03/2026 do Tribunal de Contas da União Europeia sobre a agricultura nas regiões ultraperiféricas".
Segundo o parlamentar, "o relatório europeu vem dar razão às críticas que há muito têm sido feitas sobre a ausência de uma estratégia séria e sustentável para o sector agrícola madeirense, denunciando uma gestão centrada na sobrevivência imediata e totalmente dependente de apoios públicos, sem visão de futuro", explica.
Francisco Gomes, em nota emitida esta manhã, sublinha que "o relatório aponta falhas claras na Madeira, nomeadamente a fraca diversificação agrícola, a excessiva concentração dos apoios em sectores tradicionais, a inexistência de incentivos à inovação e à criação de valor acrescentado, bem como a negligência face aos desafios demográficos".
E diz mais: "O que o relatório europeu demonstra é que a agricultura na Madeira está a ser mantida artificialmente à custa de subsídios, sem modernização, sem diversificação e sem preparação para o futuro. Isto não é política agrícola. É o adiamento do colapso."
O deputado na Assembleia da República destaca que "o envelhecimento dos agricultores, a fraca organização dos produtores e a ausência de uma aposta na diferenciação dos produtos madeirenses colocam em risco a sustentabilidade do setor, alertando que os fundos europeus estão a ser usados para manter 'amigos do regime', em vez de promoverem mudança", critica.
Francisco Gomes acredita que "estamos a desperdiçar fundos europeus para fingir que está tudo bem, quando o próprio Tribunal de Contas da União Europeia diz que o modelo actual não garante sustentabilidade económica, nem social. Isto é uma irresponsabilidade política", lamenta.
A terminar, o deputado afirma que "a Madeira não pode continuar refém de uma política agrícola assente na dependência crónica de subsídios", por isso exige "uma mudança profunda na gestão do setor, com foco na valorização dos produtos, na diversificação, na sustentabilidade e na dignidade de quem trabalha a terra". E sentencia: "O Governo Regional fala de agricultura sustentável, mas governa sem estratégia, sem planeamento e sem coragem para reformar. O resultado é uma agricultura envelhecida, dependente e sem futuro."