Presidente do México falou com Trump após morte de traficante 'El Mencho'
A Presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, revelou hoje que falou por telefone com o homólogo norte-americano, Donald Trump, pouco depois da operação em que foi morto o narcotraficante 'El Mencho', confirmando a cooperação dos serviços secretos dos Estados Unidos (EUA).
"Foi uma chamada de oito minutos para me perguntar o que se passa no México, como estão as coisas (...)", disse Sheinbaum, durante a habitual conferência de imprensa matinal, na qual explicou que a conversa teve lugar na segunda-feira, apenas algumas horas após a operação militar em Jalisco na qual Nemesio Oseguera, 'El Mencho', líder do Cartel Nova Geração de Jalisco (CJNG), foi capturado e ferido.
"El Mencho" morreu durante o transporte de avião para a Cidade do México, segundo o exército.
O anúncio da morte do narcotraficante provocou uma reação violenta do cartel, cujos alegados membros bloquearam estradas, incendiaram veículos, atacaram postos de gasolina, estabelecimentos comerciais e bancos, e confrontaram as autoridades em 20 estados mexicanos.
Sheinbaum disse que, durante a chamada, explicou a Trump detalhes das ações realizadas no México para apanhar o traficante de droga, um dos mais procurados do país.
"Disse-lhe como tinha sido a operação, que tínhamos ajuda da inteligência [serviços de informações] do Governo dos Estados Unidos, que a coordenação estava a correr muito bem", relatou.
As declarações de Sheinbaum surgem horas depois de Trump ter sublinhado, durante o seu discurso sobre o Estado da União no Congresso, que os serviços secretos dos EUA desempenharam um papel decisivo nas forças mexicanas na localização de 'El Mencho', num complexo de cabanas na pequena cidade de Tapalpa, no sul de Jalisco.
No entanto, a Presidente mexicana, que excluiu uma reunião com o homólogo norte-americano por enquanto, reiterou que a participação dos EUA se limitava à troca de informações.
"Já explicámos qual foi a colaboração, que foi essencialmente em inteligência, informação e toda a operação foi desenvolvida pelo Ministério da Defesa Nacional, conforme relatámos adequadamente aqui", afirmou.
Por outro lado, explicou que na terça-feira o embaixador norte-americano no México, Ronald Johnson, se reuniu com o Gabinete de Segurança no Palácio Nacional, um encontro de protocolo após a operação.
'El Mencho', de 59 anos, era um dos criminosos mais procurados pelas autoridades mexicanas e norte-americanas, com uma recompensa de um milhão de dólares (cerca de 847 mil euros, ao câmbio atual) por informações que levassem à sua captura.
Washington acusou-o de liderar um "reinado de terror" no México e de destruir "inúmeras vidas" com o tráfico de fentanil, oferecendo até 15 milhões de dólares (12,7 milhões de euros) por informações que levassem à sua detenção ou condenação.
Sob o seu comando, o cartel expandiu a sua presença no México e reforçou as rotas de tráfico de droga, incluindo fentanil, para os Estados Unidos.