"Nenhum português de bem se revê no discurso colonialista, diminuidor e ofensivo" de Hugo Soares
A deputada Sara Madalena (CDS), criticou, esta manhã, na Assembleia Legislativa da Madeira, as recentes posições do líder parlamentar do PSD nacional, Hugo Soares, sobre a mobilidade e a continuidade territorial, considerando que não há "um madeirense, um açoriano ou, em suma, um português de bem que se reveja naquele discurso colonialista, diminuidor e ofensivo".
Na sua intervenção, a parlamentar começou por sublinhar que “a mobilidade é um tema que nos tem juntados a todos, não obstante as diferenças que persistem entre alguns grupos parlamentares”. Recordou que num debate realizado a 3 de janeiro deu conta “da desgraça da introdução de uma portaria inacessível, complexa, inconstitucional, que exigia a não dívida à Segurança Social e/ou ao fisco, para aceder ao direito da continuidade territorial”. Segundo a deputada, essa exigência estava a “negando não só aquela, como o direito à saúde, à educação, à família e até a infância”.
No mesmo contexto, acrescentou: “uma criança continental pode, muito facilmente, visitar o seu país, o zoo, o Oceanário, até o Portugal dos Pequeninos, ou o Santuário do Bom Jesus, em Braga, mas uma criança madeirense ou açoriana não tem esse direito, pelo menos não na perspectiva do líder parlamentar do PSD continental”.
A parlamentar evocou também experiências do passado, referindo que “ainda somos do tempo em que os estudantes madeirenses, nas faculdades do país foram apelidados de ‘colonos’ ou no meu próprio caso de ‘ultraperiférica’”, lamentando que, “mais de vinte anos depois, estaríamos nesta casa a levantar questões que julgávamos ultrapassadas, mofadas e caducadas”.
Dirigindo-se ao líder do Grupo Parlamentar do PSD nacional, acusou-o de ter colocado em causa a dignidade da Região, afirmando que “a Madeira e aos madeirenses foram vilipendiados, paternalizados, criticados, como se as caixas de pandora de um país que só por causa destes sorvedouros de dinheiros públicos, coligidos pelos impostos dos coitados dos íntegros pagadores continentais, não anda para a frente”. E acrescentou: “Como se um madeirense não fosse português, ou só o seja para aumentar a Zona Económica Exclusiva, as posições estratégicas no Atlântico ou um recreio para domar umas ponchas.”
Sara Madalena considerou tratar-se de um “discurso colonialista, diminuidor e ofensivo” e criticou o facto de ter sido protagonizado por “um líder parlamentar que silenciou os deputados eleitos pelo círculo da Madeira, no seu partido e que foi aplaudido, de pé, pelos demais”.
A deputada assegurou que não aceitará ser silenciada, afirmando: “Nem agora o farão quando uso este meu espaço de liberdade de expressão para repudiar a adesão dos deputados à Assembleia da República do meu próprio partido.” Acrescentou ainda: “Espero que o CDS-PP Madeira reflita muito bem a sua relação com o CDS Nacional, as faltas de respeito foi, por demais, esclarecedora.”
Rejeitando qualquer visão diminuída da Região, declarou: “Não somos adjacentes, não somos indígenas à espera de continentais para vender umas ponchas, não somos bens para pagar a dívida da República, mas ficamos inteiramente responsáveis pela nossa.”
A concluir, deixou um aviso político: “Isto não acaba aqui.” E reforçou que a sua intervenção é feita “a cobro da defesa da honra dos madeirenses e da nossa alma insular”, rematando: “Não será um líder parlamentar qualquer que nos fará ver Braga por um canudo.”