Funchal retirou 20 das ruas em três anos
Dois ex-sem-abrigo já estão a usufruir do ‘Condomínio Solidário’
A Câmara Municipal do Funchal (CMF) conseguiu nos últimos três anos retirar 20 pessoas da rua, mas ainda assim estão identificadas 125 outras em situação de sem-abrigo, incluindo estrangeiros. O regulamento do ‘Condomínio Solidário’ vai esta semana à Assembleia Municipal, sendo que há já dois homens a usufruir deste programa. Ao início desta tarde reuniram nos Paços do Concelho os parceiros da Cima Funchal, são os parceiros do Governo, instituições particulares de Solidariedade Social e outras entidades que integram a Equipa Multidisciplinar de Coordenação, Intervenção, Monotorização e Avaliação da Estratégia Municipal para Pessoa em Situação de Sem-Abrigo.
“Enquanto existir pelo menos uma pessoa [em situação de sem-abrigo] vamos continuar a trabalhar, continuar a encontrar as soluções, continuar com os parceiros a procurar encontrar as melhores respostas”, assegurou o presidente da Câmara Municipal do Funchal na aberrura do encontro, reconhecendo que a missão não é fácil, até porque o sair da rua depende da vontade do próprio em aceitar essa ajuda. “Não chega a nossa vontade, o nosso empenho, a nossa dedicação, o nosso compromisso. É necessário que efectivamente quem está nessa condição a queira alterar”.
Jorge Carvalho agradeceu a colaboração dos parceiros ali representados na procura dessas soluções, admitiu que é um processo complexo, que as medidas não são fáceis. A situação de sem-abrigo “é em primeira instância desconfortável para os próprios mas é também desconfortável para a cidade, para todos os que aqui habitam, aqui trabalham e os que nos visitam”, assumiu.
Os números oscilam, segundo o Município, que recebe sem-abrigo de toda a Região e também de fora, muitos por consumos e de carácter temporário.
Das 20 pessoas que foram retiradas das ruas, duas delas saíram no final do ano passado. Estas duas dezenas de pessoas sublinhou Helena Leal, saíram da rua e foi-lhes dado um projecto de vida, uma oportunidade de serem inseridas no mercado de trabalho e terem apoio de monitorização, quer por parte das instituições para as quais foram encaminhadas, como do próprio Município.
No caso das duas que usufruem do Condomínio Solidário, uma resposta que consiste no aluguer de quartos a preço social, são indivíduos que passaram previamente pela residência de autonomização, o Funchal tem dois alojamentos de capacitação, mas que não conseguiram encontrar resposta no mercado privado para o passo seguinte.
“O regulamento vai agora esta semana à Assembleia Municipal para regular a acção, neste caso já temos dois homens que passaram pela nossa habitação solidária, já estão completamente inseridos na sociedade, reataram também as suas relações no que toca à rede de suporte e de família, mas que não estavam a conseguir encontrar uma reposta em termos de alojamento no mercado privado e esta foi uma oportunidade de aluguer de quartos e consideramos que esta é uma resposta que permite-nos adaptarmos também às necessidades que vão surgindo socialmente”.
Foi no âmbito da Cima Funchal que foi criada a equipa de rua que opera junto dos sem-abrigo com o objectivo de, em proximidade e sinergia e complementaridade com as outras instituições, criar medidas “suficientemente eficazes e muito dirigidas” a estas pessoas, explicou a vereadora da CMF.
A vereadora com o pelouro social explica que depois da pandemia houve um “aumento significativo”, para além do consumo das novas substâncias psicoactivas que leva muitas pessoas às ruas.
“Temos a plena consciência que temos feito tudo aquilo que está ao nosso alcance, dentro daquelas que são as nossas atribuições e competências, que decorrem da lei, também mais não poderemos fazer”, disse Helena Leal.
Segundo a governante, a Região apresenta “o menor rácio de sem-abrigo por habitante, quando comparado com a realidade nacional, europeia e internacional”.
Helena Leal assegura que não retiram ninguém à força, mas que em determinadas situações a PSP intervém.