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Portugal disposto a reforçar sanções da UE contra Israel por expansão de colonatos

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O ministro dos Negócios Estrangeiros português admitiu hoje um reforço das sanções da União Europeia (UE) contra Israel devido à expansão de colonatos na Cisjordânia, considerando que é necessário enviar um "sinal muito claro" a Telavive.

Em declarações aos jornalistas à margem de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, em Bruxelas, Paulo Rangel salientou que o Governo português tem "condenado sistematicamente aquilo que está a acontecer na Cisjordânia", seja nas Nações Unidas ou através de declarações conjuntas com outros Estados.

"Olhamos com muita preocupação e teremos de ver como é que o Conselho [dos Negócios Estrangeiros] se vai posicionar, mas evidentemente que já há sanções, nomeadamente a colonos violentos, e eu admito que essas sanções mereçam um reforço perante os passos que estão a ser dados", afirmou.

Questionado se Portugal estaria também disponível para aprovar sanções da UE dirigidas a ministros israelitas, Rangel respondeu: "Se assim for decidido, nós estaremos aqui para considerar essa matéria".

"O que eu digo é que nós consideramos que tem de ser dado um sinal muito claro ao Governo de Israel que este plano que tem para a Cisjordânia não é aceitável e isso pode passar pelo reforço de sanções de variado tipo", disse.

Rangel reiterou que o Governo português vê "com grande, grande preocupação o que se está a passar na Cisjordânia", considerando que é um "impedimento à solução dos dois Estados", que Portugal subscreve "há muitas décadas" e para a qual deu "passos muito significativos", designadamente com o reconhecimento do Estado da Palestina, em setembro de 2025.

"Portanto, evidentemente, diria que existe uma abertura para considerar um reforço das sanções, designadamente no quadro dos colonatos", reiterou.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros (MNE) da União Europeia reúnem-se hoje para decidir se impõem um novo pacote de sanções à Rússia e se avançam com medidas contra Israel devido à expansão de colonatos na Cisjordânia.

Os chefes da diplomacia dos 27 do bloco europeu irão discutir a "rápida deterioração da situação na Cisjordânia", numa altura em que o Governo de Israel tenciona expandir a sua presença na região, indicaram fontes europeias.

Segundo as mesmas fontes, a alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, deverá "medir a temperatura" e ver se os Estados-membros estão dispostos a impor sanções a Israel.

Esta discussão surge depois de, na semana passada, 85 Estados-membros da ONU, entre os quais Portugal, terem condenado as medidas unilaterais de Israel destinadas a expandir a presença na Cisjordânia.