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Albuquerque defende opção atlântica para Portugal

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Foto ASPRESS

Miguel Albuquerque defendeu que Portugal deve assumir de forma clara uma opção estratégica atlântica perante a reconfiguração da ordem internacional, alertando que o país enfrenta uma escolha decisiva sobre o seu posicionamento geopolítico.

Nas Conferências do Atlântico, o presidente do Governo Regional afirmou que a ordem herdada do pós-Guerra, sustentada pela projecção do poder americano como garante da segurança europeia, está a mudar, obrigando a Europa e os seus Estados a reforçarem capacidades e a redefinirem prioridades.

Segundo Albuquerque, num contexto em que as grandes potências voltam a afirmar interesses de forma directa, os países de menor dimensão precisam de adoptar estratégias coerentes, defendendo que Portugal não deve limitar-se a uma lógica continental que o colocaria numa posição periférica face ao centro europeu.

“Portugal tem que fazer uma opção, e essa opção ou é continental ou é atlântica”, afirmou, sustentando que a centralidade do Atlântico nas rotas, nos cabos submarinos, nos recursos e nas comunicações reforça a necessidade de olhar para o oceano como eixo estratégico.

O governante destacou que Portugal possui uma vantagem singular ao dispor de dois arquipélagos situados numa zona central da geopolítica mundial, defendendo que essa realidade deve ser valorizada como instrumento de projecção e influência.

Alertou, contudo, para o que considerou ser um desinvestimento continuado nas ilhas enquanto plataformas estratégicas, sublinhando que tal opção pode limitar a capacidade do país de afirmar relevância num cenário internacional mais competitivo.

Miguel Albuquerque referiu que a Europa terá de reforçar a sua capacidade de defesa e investir na reindustrialização militar para garantir segurança efectiva, reconhecendo que esse esforço ocorre num momento de fragilidade económica em vários países europeus. Neste quadro, considerou essencial que o Estado português defina, em articulação entre as principais instituições, uma estratégia clara para o novo ciclo geopolítico.

Apontou ainda sinais de crescente atenção internacional ao espaço atlântico, desde a intensificação de movimentos associados à base das Lajes à importância dos cabos submarinos e das rotas marítimas, defendendo que Portugal deve aproveitar a sua geografia para reforçar o seu papel no contexto internacional.

Albuquerque concluiu que a opção atlântica não é apenas uma escolha de política externa, mas uma necessidade estratégica para garantir relevância e capacidade de influência num mundo em mudança, defendendo que o país deve olhar para o Atlântico como espaço de oportunidade e de afirmação.