Opção por jejum divinizante ou por doenças a pagamento?
Começa a Quaresma, há por esse mundo além muito jejum e muito consumo(ismo). E por perto, e longe, muitas doenças de morte de muito consumir e muito jejuar. Amaciar as palavras não ajuda. Consumir será virtude do século XXI, e o jejum tabu? Muitas doenças parecem mais impostas pelos que se fazem pagar para matar. Será que consumismo envenenado tornou-se descultura do mundo aos bocados e epidemia de grandezas loucas? Descultura sem espírito e sem coração.
Donde é que nasce o cancro de muitas mortes, que cresce, cresce e vai matando? Faça o leitor uma lista das doenças e verifique em quantas entra o consumir matérias e barros sem sopro de jejum e talvez entenda (com o que resta de capacidade de entender) por que existiram desde há milhares de anos o jejum e a palavra sopro, e as recomendações de pensar e praticar jejum sem se tornar um zumbi, mas um espiritualizado.
Passou-se daí a dar pouca importância às religiões que mantiveram o jejum no seu dicionário de ritos, mas o foram substituindo por desafios aos deuses: se és divino e tens o poder do progresso que mata, transforma estas minhas pedras de ouro em coisas para consumir adoecer.
Empanturra-te de coisas até sentires ânsia de consumir mais e mais, sem poder parar. Sim, há no mundo milhões a morrer de não-consumo de quase tudo o que precisariam para respirar e viver, e há mais milhões de doentes de morte por excesso de consumo e vir a morrer mais cedo de doenças a que os esfomeados do dinheiro os obrigam a contrair. Obrigam?
Metem-lhes tudo o que querem e dá dinheiro pelos olhos, ouvidos, nariz, boca, pele, mucosas, pés e mãos, mas não jejum espiritual, nem sopros de saúde. Esperteza e Manipulação. A ecologia integral começa pelo jejum e abstinência dos sentidos, da mente e do coração, e a manipulação destrói-a pela programação publicitária.
Consulte o Dr. IA (Inteligência Artificial) e encontrará que há doenças, do cancro, por exemplo, que podem ter muitos fatores de consumo (ismo) na sua raiz: doenças de mau envelhecer, de peso a mais, de obesidade em quase 50% das pessoas, consumos de álcool, droga, anticoncetivos, tabaco, etc. Mas há outras doenças e outros fatores consumistas: para a mente e para a alma. Esses consumos empobrecem os que pagam aos outros para ficarem pobres, doentes e inúteis (inúteis a descartar, dizem os seus programadores gananciosos, os obesos de dinheiro?). Que morram! Murmuram. Já nem têm massa para consumirem e pagarem o que consomem! Mas então em que ficamos, jejum e consumo, saúde e ganância, são palavras opostas ou são palavras que se relacionam? Perguntem quantos tipos de magros e de obesos vivem e se arrastam pelas ruas das grandes cidades. Haverá os obesos de grandeza e orgulho; de dinheiro e terras; de comes e bebes; de guarda-vestidos e garagens de muitos carros; muitas casas e hiatos (e doenças); e haverá os magros de jejum, de dinheiro, de roupas, de abrigo, de cuidados de saúde, de família, de dignificação e autoestima. E muitos doentes de jejuar; e muitos doentes de consumir demais.
Quem pode conseguir máquinas de Inteligência Artificial e de inteligência de humanos que equilibrem os jejuns, e os consumos, e consigam evitar uma em cada três doenças do corpo; e uma em cada três doenças da alma e duas em cada três doenças do espírito, e do coração daqueles que não respiram o divino nem amam os irmãos? Nem uns nem outros conseguem equilibrar e programar o seu sim ao jejum e ao consumo equilibrado. Parece que sempre terá razão quem disse que estes males só se expulsam com muito deserto de jejum e muita respiração orante a escutar a Palavra de Deus. O jejum ajuda a escutar que “nem só do pão vive o homem, mas da Palavra de Deus” na “dimensão comunitária”, como diz o Papa Leão XIV na sua Mensagem da Quaresma. Venham então as orações dos humanos e não o matar das máquinas programadas que roubam a saúde e a vida. Melhor é ter uma respiração responsável que uma escravatura a pagamento aos pretensos donos de pessoas-coisas.
E melhor ainda é jejuar, distribuir o pão e escutar a Palavra de Deus Pai, em família dos seus filhos, irmãos de todos.
Aires Gameiro