Funchal lança campanha #ViolênciaNãoExpressaAmor com 14 participantes
Em 2025, a PSP registou 575 ocorrências de violência doméstica, das quais quase 100 correspondem a situações em contexto de namoro
A Câmara Municipal do Funchal apresentou esta sexta-feira, no Salão Nobre da autarquia, a segunda edição da campanha municipal de prevenção da violência no namoro, sob o mote “#ViolênciaNãoExpressaAmor”. A iniciativa é dirigida sobretudo ao público jovem e vai decorrer até ao final do mês, com a colocação de cartazes em vários pontos da cidade e um conjunto de acções previstas ao longo de todo o ano.
Na abertura da sessão, a vereadora da Câmara Municipal do Funchal, Helena Leal, afirmou que o objectivo é “alertar consciências e sensibilizar para as diferentes formas de violência no namoro”, promovendo relações “baseadas no respeito, na igualdade, na reciprocidade e na liberdade”.
Segundo dados referidos pela autarca, em 2025 foram registadas na Região Autónoma da Madeira 575 ocorrências de violência doméstica, das quais 16% correspondem a situações em contexto de namoro. “São números que também nos devem alertar para adotarmos uma postura mais proativa e criar um conjunto de ações que possam chegar aos jovens”, afirmou.
Helena Leal defendeu que a prevenção é determinante, mas sublinhou que deve ser articulada entre várias entidades. “A prevenção é sempre um eixo determinante para conseguirmos mitigar este tipo de fenómenos. Nunca se pode encerrar numa instituição, deverá ser uma acção concertada”, declarou.
A campanha inclui a afixação de cartazes com 14 figuras da sociedade local, jovens e profissionais, distribuídos por diferentes zonas da cidade, bem como conteúdos digitais e mensagens nas redes sociais do município. Entre as acções previstas está a realização de tertúlias, sessões de sensibilização e o reforço do programa 'Educar nas Escolas', dirigido à comunidade escolar. Está também previsto o lançamento de um novo projecto de podcasts temáticos durante 2026.
Durante a apresentação, a vereadora referiu que a campanha pretende “desconstruir mitos, estereótipos e crenças que normalizam comportamentos de controlo, perseguição, insultos ou chantagem emocional”, além de incentivar a denúncia e reforçar que “a violência no namoro é um crime e que ninguém está sozinho”.
Helena Leal destacou, além disso, que a intervenção precoce é fundamental para prevenir situações futuras de violência doméstica. “Combater a violência no namoro é essencial para prevenir também no futuro a violência doméstica”, afirmou, defendendo o envolvimento das escolas, associações, forças de segurança e entidades especializadas.
A cerimónia contou com a presença de diversas entidades, alunos e docentes da Escola dos Louros.
Após a apresentação formal da campanha e a exibição de um vídeo com testemunhos dos participantes, decorreu a tertúlia 'Borboletas no estômago ou sinais de alerta?', com a colaboração da doutora Frederica Passos, dedicada à reflexão sobre comportamentos que podem configurar situações de risco nas relações afectivas.