Combustíveis sobem depressa e descem devagar
Há uma dúvida que muitos condutores têm, na Madeira e no continente. Quando os combustíveis sobem, a explicação aparece depressa. Quando descem, a explicação costuma ser mais demorada.
Se as cotações aumentam, diz-se que o combustível seguinte será comprado mais caro e que esse aumento terá de chegar às bombas. Quando as cotações descem, surge muitas vezes outro argumento: ainda existe combustível comprado anteriormente a preços mais elevados e é preciso esperar até essa descida percorrer toda a cadeia.
É aqui que a lógica começa a ser difícil de perceber.
Se, quando o preço sobe, já conta aquilo que será necessário pagar amanhã, porque é que, quando desce, continua a pesar aquilo que foi pago ontem?
Na Madeira existe, pelo menos, uma particularidade importante: há uma fórmula oficial e pública para calcular os preços máximos. Nessa conta entram o preço médio ponderado do combustível sem impostos e taxas, os custos de transporte e armazenagem, o ISP e o IVA.
Também não é verdade que os preços só subam. Esta semana, de 5 a 11 de outubro, a gasolina 95 desceu de 2,029 para 2,021 euros por litro e o gasóleo rodoviário de 2,148 para 2,120 euros.
A questão é outra: as subidas e as descidas entram no cálculo com a mesma rapidez?
Há ainda o ISP. O Governo Regional tem utilizado este imposto para atenuar ou ajustar parte das variações do preço e voltou a alterar as taxas aplicáveis aos combustíveis no início de outubro.
Fica, por isso, uma sugestão concreta ao Governo Regional: juntamente com a publicação semanal dos preços máximos, divulgar uma pequena tabela com os valores que estiveram na origem do preço final, nomeadamente o preço médio do combustível, os custos de transporte e armazenagem, o ISP e o IVA. Ao lado, poderiam constar os valores da semana anterior, permitindo perceber imediatamente o que subiu, o que desceu e porquê.
Não parece uma medida complicada, mas seria um passo importante em matéria de transparência. A fórmula já é pública. Falta tornar igualmente clara a conta que, todas as semanas, conduz ao preço que aparece nas bombas.
Se o combustível baixou mas o ISP aumentou, isso ficaria claro. Se a cotação subiu mas o imposto desceu para amortecer o aumento, também. E seria muito mais fácil perceber se uma subida das cotações demora o mesmo tempo a chegar ao preço final que uma descida.
Pode até acontecer que os números mostrem que o mecanismo funciona da mesma forma nos dois sentidos. Se assim for, a dúvida fica resolvida.
Sem essa informação, permanecerá a perceção de que os aumentos chegam mais depressa às bombas do que as descidas.
Fernando Santos