DNOTICIAS.PT
Mundo

Le Pen acusa Macron de se posicionar do lado de quem "ataca a polícia"

None

A líder de extrema-direita francesa Marine le Pen acusou o Presidente francês de se colocar sempre do lado de "quem ataca a polícia", após o governo ter proibido hoje a utilização de granadas de atordoamento.

Face aos protestos estudantis que se alastraram por várias das principais cidades francesas, marcados por fortes intervenções policiais, o governo francês proibiu a utilização de granadas de atordoamento após um jovem de 15 anos ter perdido uma mão devido a um disparo desses projéteis.

Para Le Pen, esta decisão junta-se a uma vontade sistemática do Presidente francês, Emmanuel Macron, de se posicionar contra a polícia.

"Não é a primeira vez que algo assim acontece. Durante os seus dois mandatos, culpou a polícia em muitas ocasiões e manifestou frequentemente o seu descontentamento com os nossos agentes", disse, durante uma visita a um encontro de criadores de gado na região da Auvernia.

O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, anunciou hoje de manhã a suspensão do uso de granadas atordoantes depois de, na segunda-feira, um manifestante de 15 anos ter ficado sem uma mão em Lens, no norte do país.

"Estou a suspender o uso destas granadas contra o movimento estudantil do ensino secundário, até que a verdade sobre o que aconteceu neste caso seja apurada", anunciou o ministro à rádio RTL.

A política de extrema-direita também atacou duramente o partido de esquerda França Insubmissa (LFI, na sigla em francês), cujos deputados acompanharam os manifestantes em várias marchas para vigiar a atuação policial, ao ponto de um dos seus representantes mais destacados, o presidente da Câmara de Saint-Denis, Bally Bagayoko, ter chegado mesmo a enfrentar as forças de intervenção para proteger os manifestantes.

Para Le Pen, a França Insubmissa está empenhada em "multiplicar as notícias falsas e culpar a polícia".

"Não sei como é possível que um partido político faça crer que a polícia age de forma violenta contra os jovens", afirmou, "quando todas as suas acusações foram imediatamente desmentidas pelos diversos agentes responsáveis por estes assuntos".

Le Pen reafirmou, por fim, o seu apoio absoluto ao trabalho policial, aconselhando as forças de segurança a "continuarem a fazer o seu trabalho, porque as condições são bastante difíceis".

Iniciado a 17 de setembro na região parisiense, este movimento de estudantes que reivindica mais recursos para as escolas expandiu-se gradualmente, no meio de um clima social tenso, a pouco mais de seis meses de eleições presidenciais.

Na terça-feira, os protestos estudantis reuniram entre 256.000 e 450.000 manifestantes, segundo os diferentes números divulgados pelas autoridades e pelos sindicatos, respetivamente, numa jornada que decorreu de manhã sem grandes incidentes.

Os estudantes reclamam melhores condições de ensino, mais recursos, renovação de edifícios escolares degradados e contestam os cortes na educação.