Madeira reforça capacidade de resposta a catástrofes com múltiplas vítimas mortais
A Madeira deu mais um passo na preparação para situações de emergência com múltiplas vítimas mortais, ao concluir, pela primeira vez na Região, uma formação especializada em Identificação de Vítimas de Desastres (DVI, na sigla inglesa).
A iniciativa, promovida pelo Serviço Regional de Protecção Civil (SRPC), procurou reforçar a capacidade de resposta das autoridades e melhorar a articulação entre as diferentes entidades envolvidas nestes cenários.
A preparação para uma catástrofe exige que sejamos capazes de antecipar não apenas as necessidades de socorro e assistência às vítimas, mas também todas as dimensões da resposta que se seguem a um acontecimento desta natureza. A capacitação das nossas autoridades de saúde, em articulação com as entidades nacionais competentes, representa um investimento fundamental na segurança, na capacidade de resposta e na resiliência da Região Autónoma da Madeira Micaela Freitas, secretária regional de Saúde e Protecção Civil
A formação decorreu nas instalações do SANAS Madeira e no Necrotério Provisório do Aeroporto Internacional da Madeira, sob orientação de uma equipa de especialistas liderada por Howard Way.
Ao longo da iniciativa, os participantes tiveram oportunidade de aprofundar conhecimentos e desenvolver competências práticas relacionadas com a identificação de vítimas mortais, desde a recuperação e documentação dos corpos no local da ocorrência até à recolha de informações ante mortem e post mortem, fundamentais para estabelecer a identidade das vítimas.
O processo incluiu ainda procedimentos de comparação e reconciliação de dados, essenciais para garantir identificações rigorosas e fiáveis, particularmente em situações de desastre que envolvam um elevado número de vítimas.
A formação juntou representantes do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, da Autoridade de Saúde Regional, do Ministério Público, da Polícia Judiciária, da PSP, da GNR, da Cruz Vermelha Portuguesa e dos corpos de bombeiros.
Segundo a Protecção Civil, esta aposta integra a preparação para a operacionalização da Área de Intervenção de Serviços Mortuários, prevista no Plano Regional de Emergência de Protecção Civil da Madeira.
O objectivo passa por assegurar que a Região dispõe de recursos humanos preparados, procedimentos comuns e mecanismos de coordenação capazes de garantir uma resposta organizada e eficaz em cenários de elevada complexidade, respeitando as competências legais de cada entidade e a dignidade das vítimas e das respectivas famílias.
Estamos a reforçar uma capacidade altamente especializada, que exige rigor científico, coordenação institucional e uma profunda dimensão humana. Queremos uma Região cada vez mais preparada, com profissionais qualificados e instituições capazes de trabalhar de forma integrada, garantindo que, mesmo nas circunstâncias mais difíceis, a resposta seja eficaz e respeitadora da dignidade das vítimas e das suas famílias Micaela Freitas, secretária regional de Saúde e Protecção Civil
Por sua vez, o Presidente do Serviço Regional de Proteçcão Civil, Richard Marques, considera que esta formação representa um avanço significativo na consolidação das capacidades especializadas previstas no PREPC RAM. "Estamos a dar um passo determinante na operacionalização de uma área de intervenção particularmente sensível e exigente do nosso Plano Regional de Emergência, capacitando as autoridades de saúde e promovendo uma resposta verdadeiramente multidisciplinar, em articulação com o Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, o Ministério Público e a Polícia Judiciária", afirma.
O responsável destaca que "a resposta a uma catástrofe com múltiplas vítimas mortais não termina nas operações de socorro. Exige uma estrutura organizada, profissionais preparados e procedimentos rigorosos que permitam assegurar a gestão dos serviços mortuários e apoiar os processos de identificação das vítimas, no pleno respeito pelas competências das diferentes autoridades".
Richard Marques acrescenta que "o verdadeiro valor desta iniciativa está na integração de competências e na capacidade de colocar diferentes instituições a trabalhar segundo procedimentos comuns, numa estrutura coordenada de protecção civil, transformando conhecimento especializado em capacidade operacional efectiva".
"Mais do que realizar uma formação, estamos a construir uma capacidade diferenciada para o Sistema Regional de Proteção Civil, reforçando a autonomia operacional da Região e a sua articulação com as estruturas nacionais. Porque preparar uma resposta a uma catástrofe é também garantir que nenhuma dimensão da emergência fica por antecipar", conclui.