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Madeira

Agricultura da Madeira aposta na transformação de resíduos em novos produtos

Marco Caldeira destaca economia circular e redução de resíduos de pesticidas

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A transformação de resíduos agrícolas em novos produtos alimentares e a redução da presença de pesticidas nos alimentos foram dois dos aspectos destacados esta manhã por Marco Caldeira, director regional de Agricultura, durante a conferência ‘Engenharia à Mesa – Inovação para um Sistema Alimentar Saudável e Sustentável’, promovida pela Ordem dos Engenheiros Técnicos, no Centro de Congressos da Madeira.

O responsável sublinhou que a agricultura regional enfrenta desafios acrescidos, desde a pequena dimensão das explorações e o aumento dos custos de produção até à dependência do exterior e aos efeitos das alterações climáticas.

“Já não basta produzir mais ou produzir produtos perfeitos. É preciso produzir bem e de forma segura”, afirmou, defendendo uma agricultura que respeite o solo, a água e a biodiversidade.

Uma das apostas da Direcção Regional de Agricultura passa pela economia circular, através do aproveitamento de subprodutos agrícolas e de resíduos provenientes dos mercados. Entre os exemplos apresentados estão a transformação de bagaço de cana e palha de bananeira em novos materiais, bem como a produção de farinhas, granolas e outros produtos a partir de frutas que anteriormente seriam desperdiçadas.

Marco Caldeira destacou igualmente experiências de valorização de produtos regionais, incluindo a transformação de flores de bananeira em pickles, criando oportunidades de negócio e contribuindo para a fixação de jovens no meio rural.

Na segurança alimentar, revelou que são analisadas anualmente cerca de 200 amostras no âmbito do plano de controlo de resíduos, em parceria com a ARAE.

“Temos cada vez menos produtos com resíduos acima do limite permitido”, assegurou, atribuindo esta evolução ao acompanhamento técnico e à responsabilidade dos agricultores.

O director regional defendeu ainda a valorização da produção local, através de mecanismos de certificação e da marca ‘Produto da Madeira’, considerando que a inovação deve caminhar lado a lado com o conhecimento tradicional.

“A economia circular gera benefícios para toda a cadeia”, sustentou, apontando a redução dos desperdícios, a diminuição da dependência externa e a melhoria do rendimento dos produtores como prioridades para o futuro da agricultura madeirense.