JP defende melhores salários para facilitar acesso à habitação
Juventude do CDS-PP reuniu com a Ordem dos Economistas e considera que a resposta às dificuldades dos jovens não pode passar apenas por apoios à compra ou ao arrendamento
A Juventude Popular (JP) da Madeira defende que a resolução dos problemas de acesso à habitação exige mais do que medidas destinadas a reduzir os custos da compra ou do arrendamento. Para a estrutura juvenil do CDS-PP, é igualmente necessário melhorar os salários e criar condições para que os jovens possam alcançar a independência financeira e constituir família.
A posição foi transmitida após uma reunião com a Ordem dos Economistas, realizada no âmbito das jornadas "Construir Futuro — Casa, Família e Natalidade". De acordo com um comunicado enviado à imprensa, o encontro serviu para analisar a relação entre o modelo económico regional, os rendimentos das famílias e as dificuldades sentidas pelas novas gerações.
A dependência da economia madeirense em relação ao turismo e o peso das actividades de menor valor acrescentado estiveram entre os assuntos discutidos. A JP considera que estas características podem limitar o crescimento dos salários, defendendo uma maior diversificação económica e melhores condições para o desenvolvimento das empresas.
"Não podemos discutir o problema da habitação olhando apenas para o preço das casas. Temos também de olhar para os salários que a nossa economia consegue pagar", afirma Carlos Bettencourt, vogal da Comissão Política da JP Madeira, alertando que a dificuldade em acompanhar o aumento do custo de vida compromete a autonomia dos jovens.
Na reunião foram igualmente abordadas possíveis soluções para aumentar a oferta habitacional, incluindo a criação de bolsas de terrenos, o aproveitamento de imóveis existentes e a divisão de casas de maior dimensão em unidades autónomas. A redução da burocracia e o desenvolvimento de habitação social planeada também fizeram parte da discussão.
O papel do Estado na economia, a fiscalidade, a despesa pública e as condições para atrair investimento privado foram outros temas analisados, a par das mudanças nas expectativas e nos projectos de vida das novas gerações.
"Precisamos de uma economia capaz de criar mais riqueza, gerar melhores salários e oferecer perspectivas de futuro aos jovens", sustenta Carlos Bettencourt, para quem os apoios à habitação, embora possam fazer parte da resposta, não substituem a necessidade de assegurar rendimentos que permitam às famílias viver com estabilidade e independência.