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Madeira

Economia da Madeira abranda pelo terceiro mês consecutivo

Indicador Regional de Actividade Económica em Julho de 2026 situação nos 0,9%, ainda em terreno positivo há 64 meses consecutivos

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Foto DR, DREM

Dormidas turísticas, vendas de automóveis, exportações e construção registaram quebras em Julho, apesar da evolução positiva dos proveitos do turismo, do consumo de gasolina e do crédito às empresas e à habitação.

A economia da Madeira manteve uma trajectória de crescimento em Julho, mas voltou a perder ritmo pelo terceiro mês consecutivo, segundo a Síntese Económica de Conjuntura divulgada hoje pela Direcção Regional de Estatística da Madeira (DREM). Os indicadores revelam uma evolução desigual entre sectores, com sinais de desaceleração no turismo, no investimento e na procura externa, enquanto o mercado de trabalho registou menos desempregados inscritos e a inflação abrandou. Ainda assim, pelo 64.º mês consecutivo, desde Abril de 2021, tem-se mantido em terreno positivo.

No turismo, o número de dormidas nos estabelecimentos de alojamento turístico, excluindo o alojamento local com capacidade inferior a dez camas, diminuiu 1,5% em termos homólogos, atenuando a quebra de 1,8% registada em Junho. Apesar da redução das dormidas, os proveitos totais aumentaram 6,2%, embora abaixo dos 6,5% do mês anterior.

O rendimento por quarto disponível (RevPAR) cresceu 2,8%, desacelerando face aos 3,2% de Junho. Em sentido contrário, a taxa líquida de ocupação-cama subiu de 67,2% para 72,2%, reflectindo uma maior ocupação da capacidade de alojamento face ao mês anterior.

Na energia, a emissão de electricidade aumentou 3,5%, ligeiramente abaixo dos 3,7% de Junho. A introdução de gasóleo no consumo diminuiu 2,3%, uma quebra menos acentuada do que a registada no mês precedente, quando recuou 7%.

Consumo mantém crescimento, mas automóveis recuam

Os indicadores de consumo privado apresentaram resultados distintos. A introdução de gasolina no consumo aumentou 2,8% em termos homólogos, acelerando face à subida de 1% registada em Junho.

O saldo dos empréstimos concedidos às famílias e às instituições sem fins lucrativos ao serviço das famílias para consumo e outros fins cresceu 7,6%, ligeiramente abaixo dos 7,7% do mês anterior. Já os levantamentos e as compras com cartões nacionais através de terminais de pagamento automático aumentaram 5,2%, mantendo o ritmo de crescimento observado em Junho.

Em contrapartida, as vendas de automóveis ligeiros de passageiros caíram 14,7% em termos homólogos, uma contracção mais acentuada do que a redução de 7,9% registada no mês anterior.

Investimento com sinais contraditórios

A evolução do investimento também foi heterogénea. As vendas de automóveis ligeiros de mercadorias diminuíram 16,9%, aprofundando a quebra de 9,6% registada em Junho. A comercialização de cimento recuou 4%, depois de já ter diminuído 2,7% no mês anterior.

Em sentido contrário, o saldo dos empréstimos concedidos às sociedades não financeiras aumentou 2,6%, invertendo a redução de 1,4% observada em Junho. O crédito à habitação concedido às famílias e às instituições sem fins lucrativos ao serviço das famílias cresceu 9,5%, mantendo o ritmo do mês anterior.

A avaliação bancária da habitação aumentou 18,8% em termos homólogos, ligeiramente abaixo dos 19,1% de Junho. Quanto aos edifícios licenciados, registou-se um crescimento de 1,4%, bastante inferior à subida de 25,2% observada no mês precedente.

Exportações caem e importações aceleram

Na procura externa, as exportações regionais de bens diminuíram 14,4% em Julho, aprofundando a contracção de 9,9% registada em Junho. Em sentido contrário, as importações aumentaram 24,6%, acelerando face ao crescimento de 8,9% do mês anterior.

O movimento de mercadorias nos portos da Região cresceu 3,6%, mantendo uma evolução positiva, embora mais moderada do que em Junho, quando aumentou 4,2%.

No transporte aéreo, o número de passageiros movimentados nos aeroportos regionais subiu 2,6%, ligeiramente acima dos 2,4% registados no mês anterior. Já as compras e os levantamentos com cartões internacionais através de terminais de pagamento automático cresceram 2,6%, desacelerando face aos 3,7% de Junho.

Desemprego recua, mas ofertas de emprego também diminuem

No mercado de trabalho, o número de desempregados inscritos diminuiu 12,8% em termos homólogos, uma redução mais expressiva do que a registada em Junho, de 11%. Os pedidos de emprego recuaram 12,6%, depois de uma quebra de 10,5% no mês anterior.

Contudo, as ofertas de emprego diminuíram 18,7%, acentuando a descida de 15,7% observada em Junho. Os dados apontam, assim, para uma redução do desemprego registado, acompanhada por uma contracção da procura de trabalhadores por parte das entidades empregadoras.

Na dinâmica empresarial, a relação entre sociedades constituídas e dissolvidas manteve-se em 2,4 novas sociedades por cada dissolução, repetindo o valor do mês anterior.

Confiança melhora em três de 4 sectores

Em Julho, os indicadores de confiança evoluíram favoravelmente na indústria transformadora, no comércio e nos serviços. A construção e obras públicas foi a única actividade em que o indicador de confiança diminuiu.

Esta evolução qualitativa contrasta com alguns dos indicadores quantitativos, nomeadamente a quebra na comercialização de cimento e a desaceleração do licenciamento de edifícios, que apontam para dificuldades no segmento da construção.

Inflação abranda para 4,7%

A taxa de inflação homóloga na Madeira fixou-se em 4,7% em Julho, abaixo dos 5% registados em Junho. A desaceleração resultou da redução da inflação dos bens para 2,7% e da descida da inflação dos serviços para 7%.

A inflação subjacente, que exclui os produtos alimentares não transformados e os produtos energéticos, seguiu a tendência contrária, aumentando ligeiramente para 4,5%, face aos 4,4% do mês anterior.

A DREM ressalva, como habitualmente, que o Indicador Regional de Actividade Económica (IRAE) se destina a sinalizar a direcção e a intensidade das flutuações da economia, identificando acelerações, desacelerações e possíveis pontos de viragem. O indicador não substitui a variação real do Produto Interno Bruto (PIB), cujo apuramento depende de um conjunto mais amplo de informação estatística.