AHRESP pede salvaguarda de rotas estratégicas, hub de Lisboa e ligações a Norte
A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal recebeu "com agrado" a escolha da Lufthansa para a privatização parcial da TAP, mas pediu que sejam salvaguardadas as rotas estratégicas, o 'hub' de Lisboa e as ligações a Norte.
Recebemos esta notícia "com agrado. É mais um processo resolvido. Estamos a falar de conectividade, que é essencial para o turismo e para a economia do país", afirmou a secretária-geral da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), Ana Jacinto, em declarações à Lusa.
Ana Jacinto, que falava, no Porto, à margem da conferência "Turismo: É preciso mudar de rota?", organizada pela agência Lusa e pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), espera que com a escolha do grupo Lufthansa seja possível reforçar o investimento, ter novos mercados, oportunidades e escala.
Contudo, vincou ser necessário "salvaguardar as rotas estratégicas para o país, o 'hub' de Lisboa, e as ligações a Norte".
O Governo selecionou hoje a Lufthansa para a privatização parcial da TAP, com uma proposta de 1.201 milhões de euros para até 49,9% do capital, prevendo concluir a operação até ao início de 2028.
A decisão, anunciada pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, foi tomada em Conselho de Ministros, após a análise das propostas vinculativas finais melhoradas apresentadas pela Air France-KLM e pela Lufthansa, os dois grupos que chegaram à fase decisiva da privatização da companhia aérea portuguesa.
O Governo pretende manter Luís Rodrigues como presidente executivo da TAP e afasta uma cogestão com a Lufthansa antes da conclusão da privatização, prevista para 2028, afirmou hoje o ministro das Infraestruturas, Pinto Luz, também na conferência após o Conselho de Ministros.
Ana Jacinto considerou ser uma "ótima notícia" o Governo manter Luís Rodrigues como presidente executivo da TAP.
"Tem sabido trabalhar com todas as regiões, 'stakeholders' [partes interessadas] e beneficiários de forma positiva", sublinhou.
Já sobre a possibilidade de, no futuro, o grupo poder reforçar a sua posição na TAP, a secretária-geral da AHRESP pediu que seja salvaguardada a possibilidade de o país poder decidir o que é estratégico.
A proposta da Lufthansa inclui um preço de referência de 1.025 milhões de euros por 44,9% da TAP, acrescido de 58 milhões de euros em ajustamentos temporais relacionados com a taxa de emissão de bilhetes ('ticketing fee'), a SPdH (antiga Groundforce, empresa de assistência em terra) e a Cateringpor (serviços de refeições a bordo), além de 118 milhões relativos aos 5% reservados aos trabalhadores, elevando o encaixe potencial para 1.201 milhões de euros.
Já a Air France-KLM ofereceu 850 milhões de euros pelos 44,9% do capital, a que acrescem 86 milhões de euros em ajustamentos da mesma natureza e 102 milhões relativos à parcela reservada aos trabalhadores, totalizando 1.038 milhões de euros.
A proposta do grupo franco-neerlandês previa ainda um pagamento adicional de 100 milhões de euros, condicionado ao cumprimento de metas financeiras pela TAP em 2028, nomeadamente um resultado operacional (EBITDA) de pelo menos 1.036 milhões de euros e uma dívida financeira líquida não superior a 2.900 milhões.
A avaliação teve também em conta as propostas apresentadas pelos dois concorrentes para uma eventual segunda fase da privatização, condição pedida no caderno de encargos, que permitiria ao investidor selecionado adquirir a maioria do capital da companhia.
Nesse cenário, a Lufthansa apresentou uma proposta adicional de 1.351 milhões de euros pela aquisição dos restantes 50,1% da TAP, dos quais 863 milhões de euros seriam pagos em dinheiro e 488 milhões através de uma troca de ações.
Esta operação permitiria ao Estado português tornar-se o segundo maior acionista do grupo resultante da combinação da Lufthansa com a TAP, mantendo uma participação indireta na transportadora portuguesa.
Considerando as duas fases, a proposta implica uma valorização direta da TAP de 2.552 milhões de euros, superior às avaliações independentes apresentadas ao Governo.