Jorge Carvalho elogia trabalho e obra inédita do cancioneiro 'Música Tradicional Madeirense'
No decurso da sessão da apresentação pública da obra inédita do cancioneiro ‘Música Tradicional Madeirense’, em sete volumes, editado pela Associação Xarabanda, que decorreu ontem à noite no Teatro Baltazar Dias, o presidente da Câmara Municipal do Funchal elogiou o trabalho e a obra realizada pela Associação Xarabanda.
Jorge Carvalho começou a sua intervenção por fazer uma referência às palavras do presidente da Associação Xarabanda, o professor Roberto Moniz, mencionando que “a missão do Xarabanda era a de ser guardião da memória colectiva". "É precisamente nesse papel de guardião que queria homenagear todos aqueles que, ao longo destes 45 anos, aqui foram designados por jovens curiosos, e eu diria jovens talentosos, que se dedicaram a uma missão extraordinária: de, através da escuta atenta, recolher o património que só existia na memória daqueles que efectivamente cantavam; muitos tocavam, mas tocavam de memória", sublinhou o autarca.
"Trazer ao presente essa memória colectiva e deixar um documento para memória futura é algo que nós revelamos. E queremos agradecer estes 45 anos, não só de recolha, porque é isso que nos traz hoje aqui, mais precisamente, mas, acima de tudo, de divulgação dessa mesma memória", acrescentou.
Salientou ainda Jorge Carvalho, como na sessão foi referido, não só este trabalho de procurar a nossa cultura, as nossas tradições e de as valorizar do ponto de vista do registo, mas também da sua ampliação e divulgação através do grupo Xarabanda.
“O Xarabanda tem um papel importante na divulgação das nossas tradições e isso acaba neste documento extraordinário para memória futura”, reforçou, referindo a obra do cancioneiro ‘Música Tradicional da Madeira’ que estava a ser apresentada.
O autarca do Funchal terminou dizendo que o município se associa a este momento e que era com satisfação que, a partir de hoje, todos aqueles que, por curiosidade, por formação ou por vocação, querem estudar, tocar e saber mais sobre as nossas tradições, já não precisam, como dizia Rui Camacho, da Associação Xarabanda, de ir ao Porto da Cruz, de ir ao Faial ou, eventualmente, à Serra de Água; hoje basta tão-só pegar num destes livros do Cancioneiro e têm à distância de um olhar todo esse manancial das tradições de um povo.
Jorge Carvalho enalteceu o trabalho do Xarabanda e referiu a importância do movimento associativo, dizendo que esta Associação Cultural tem um papel fundamental e que hoje aqui fica demonstrado que é importante agregar e, neste caso particular, agregar a cultura, agregar a música, agregar também, e porque não dizê-lo, a escrita, porque é disso que hoje estamos a tratar.
A sessão de apresentação do Cancioneiro ‘Música Tradicional Madeirense’ contou com a presença da secretária Regional da Educação, Ciência e Tecnologia, Elsa Fernandes, do director Regional da Cultura, Medeiros Gaspar, e a obra foi apresentada pelo antropólogo Jorge Torres, coordenador científico da obra, e pelo conceituado etnomusicólogo e director do programa doutoral em Música da Universidade de Aveiro, Jorge Castro Ribeiro.
O momento terminou com uma actuação do grupo musical Xarabanda, que interpretou quatro temas que constam do novo cancioneiro ‘Música Tradicional Madeirense’.