André Pestana defende "uma nova esquerda" para Portugal
O candidato presidencial André Pestana defende "uma nova esquerda" para Portugal, sem ligações à geringonça e ao "antigo bloco de leste", assumindo que quer ser um Presidente da República que estará ao lado do povo a lutar na rua.
"Claramente o que me parece é que Portugal precisa de uma esquerda nova. Uma esquerda que não está conotada nem com o que se passou nas últimas décadas de PS, de geringonça, mas também não é uma esquerda associada ao antigo bloco leste. É uma esquerda que acredita na força coletiva da mobilização social", disse, em entrevista à agência Lusa.
Professor de biologia e geologia, sindicalista e um dos fundadores do Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (S.T.O.P.), André Pestana concorre ao Palácio de Belém para estar ao lado do povo e lutar na defesa dos direitos laborais, dos reformados e das questões ecológicas.
O professor contou que foi desafiado por mais de 50 ativistas, dirigentes sindicais e de movimentos sociais para se candidatar a Belém porque "a luta, nomeadamente na educação, foi um grande exemplo", que depois influenciou outros setores.
"A minha atuação será uma atuação completamente diferente das presidências da República que temos tido. Nas últimas décadas têm havido muitos ataques a quem trabalha e os presidentes da República têm estado calados e, às vezes, ao lado dessas medidas antipopulares dos governos", salientou.
André Pestana confessou que será o Presidente que estará "ao lado das mobilizações justas" seja pelos direitos laborais, como a proposta do Governo, seja pela questão ecológica, considerando "gravíssimo com o que se está a passar com a nova lei dos solos que este Presidente da República deixou passar".
Enquanto candidato a Belém, o sindicalista revelou que tem quatro prioridades: a diminuição da idade de reforma para os 62 anos, reforma mínima de 1000 euros, acabar com "os subsídios milionários" aos partidos políticos e pôr fim aos milhões que Portugal envia para a NATO.
"As minhas prioridades são a questão da diminuição da idade de reforma para os 62 anos, ou seja, nós temos de ter tempo para viver e não estar constantemente a assistir ao aumento da idade de reforma. Outra das prioridades é uma reforma mínima de 1000 euros para dar dignidade aos nossos idosos", afirmou.
André Pestana destacou que é "o único candidato" que quer "acabar com os subsídios milionários aos partidos políticos", avançando que o Chega, PSD e PS "recebem anualmente mais de cinco milhões de euros", além dos "milhões que já recebem nas campanhas eleitorais".
Questionado como é que um chefe de Estado podia alcançar aqueles objetivos, recordou a manifestação realizada em 2012, por altura da 'troika' contra a Taxa Social Única (TSU), em que a população portuguesa veio para a rua e o Presidente da República da altura, Cavaco Silva, esteve "ao lado do Governo contra o interesse da maioria" dos portugueses.
"Estarei ao lado destas revoluções, como também se viu agora recentemente (...) na grandiosa luta dos professores, cuja luta e mobilização social fez com que hoje cerca de 100 mil professores conseguissem o tempo de serviço", frisou.
O professor assumiu-se também contra a NATO, defendendo que Portugal não deve disponibilizar "nem mais um euro para a NATO e para as guerras que a NATO quer promover".
"Somos nós, de certa forma, que estamos a financiar a poderosa indústria de armamento dos Estados Unidos e isso torna-nos cúmplices com esta intervenção na Venezuela (...) e com Gaza em que os Estados Unidos patrocinaram em termos militares Israel", afirmou.
André Pestana contestou ainda o facto de Portugal poder passar "a gastar 5% do PIB, que será cerca de 15 mil milhões de euros" em armamento.
"Isto vai arruinar ainda mais o Serviço Nacional de Saúde, ainda mais a escola pública e o poder de compra de quem cá vive. Eu não quero isso. Se eu for Presidente da República, tudo farei para que não vá mais dinheiro para armas, mas sim para o bem comum", salientou.