Hugo Soares avisa PSD que Mendes é única escolha para evitar instabilidade
O secretário-geral do PSD avisou hoje o partido que Marques Mendes é a única opção para evitar instabilidade, acusando Ventura e Cotrim de estarem nas presidenciais por obrigação e Seguro de ter sido a última escolha do PS.
Hugo Soares discursou hoje na sessão de esclarecimento da campanha presidencial do candidato apoiado por PSD e CDS-PP, Luís Marques Mendes, e na qual também marcou presença a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes.
"Sim, eu vim à campanha dizer ao PSD que este é o melhor candidato para Portugal, vim dizer aos que votaram no Governo que este é o candidato mais independente", afirmou, alertando que os restantes dez candidatos querem ser "líderes da oposição a partir de Belém".
Por isso, disse a "todos os que em Portugal entendem que não deve haver instabilidade", que "não querem deitar o esforço dos portugueses borda fora ou que Portugal pare", que só têm uma escolha nas eleições de 18 de janeiro: o candidato apoiado por PSD e CDS-PP, Luís Marques Mendes.
Hugo Soares fez ainda duras críticas aos principais adversários de Mendes, lembrando palavras de André Ventura e Cotrim Figueiredo para defender que só concorrem por "imposição ou obrigação" e os acusar de "enganar os portugueses e brincar com as eleições".
Sobre António José Seguro, disse que só "foi o candidato do PS porque não havia mais nenhum" e acusou implicitamente Henrique Gouveia e Melo -- o único que não nomeou -- de ser "uma desilusão total".
"Não afirma uma ideia, mas consegue lançar lama para toda a gente", afirmou, numa das passagens mais aplaudidas da sua intervenção.
Por estas razões, defendeu, "o PSD não faz frete nenhum, esforço nenhum" para apoiar Luís Marques Mendes, dizendo não ter nenhuma dúvida de que o partido está com a candidatura do antigo líder social-democrata.
Hugo Soares procurou comparar o percurso do antigo líder do PSD -- que lhe disse que ser Presidente seria "a maior honra" da sua vida -- com palavras ditas há alguns meses sobre o cargo pelos candidatos apoiados pelo Chega e pela IL, apelando a que estas sejam repetidas até final da campanha.
"Uma eleição presidencial não é uma eleição de brincadeira, não é daqueles onde o voto de cada uma possa ser desperdiçado", alertou.
Sobre André Ventura, o também presidente do grupo parlamentar do PSD recordou que o líder do Chega chegou a dizer que seria mau para a democracia que ele próprio tivesse de se candidatar a Belém, uma vez que tinha a missão de liderar a oposição.
"Quem sente que tem uma missão nobre não pode almejar ser líder da oposição a partir de Belém. Não serve para Presidente da República", defendeu.
Hugo Soares lembrou depois que a escolha inicial da IL para Belém era Mariana Leitão, que depois preferiu ser líder partidária, e citou palavras de março do ano passado do candidato Cotrim Figueiredo, que disse que a função presidencial não o fascinava nem fazia o seu género.
"Quando alguém concorre por imposição, quando alguém concorre sem gosto, temos de lhe dizer que ele não pode mesmo ser Presidente da República", considerou, avisando que esta eleição não é para escolher "quem faz o 'tik tok' mais bonito, o campeão das redes sociais ou uma espécie de miss Universo".
O dirigente do PSD deixou ainda críticas a António José Seguro, sugerindo que "se quer vingar do que lhe aconteceu quando foi secretário-geral" do PS e acusando-se de não se comprometer em nenhuma matéria.
"O dr. António José Seguro só é candidato porque não houve mais nenhum: bateram a todas as portas, desde Sampaio da Nóvoa e António Vitorino", referiu, contrapondo que o PSD nunca teve dúvidas no apoio a Luís Marques Mendes.
Hugo Soares refutou ainda a ideia de que o candidato que apoia pode não ser independente em relação ao Governo, invocando quer o passado político de Mendes, quer os dois Presidentes da República que vieram do PSD, Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa.
"Nós já tivemos exercícios presidenciais de candidatos que saíram de outras famílias políticas que não foram da mesma lealdade, da mesma independência, que os candidatos que saíram da família política do PSD foram no exercício da Presidência da República", afirmou, sem apontar nomes.