Cotrim Figueiredo defende demissão de ministra da Saúde se recusou reforço de ambulâncias
O candidato presidencial Cotrim Figueiredo defendeu hoje a demissão da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, caso se confirme que o Governo não reativou o reforço de ambulâncias para este inverno.
No final de uma visita à Academia Cultural e Social de Maceira, em Leiria, o eurodeputado considerou que os casos a envolver a ministra são "já excessivos" e que, se efetivamente o plano extraordinário com mais 100 viaturas dos bombeiros ao serviço da emergência médica pré-hospitalar não foi renovado, é uma "negligência grave".
"Achar que 100 ambulâncias, que eu percebo que são bastantes, não fariam diferença nesta altura de necessidade acrescida de resposta que está nas fronteiras daquilo que eu considero a perda de condições políticas para exercer o cargo de ministra", insistiu o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal.
O antigo líder da IL explicou que nunca "foi lesto a pedir cabeças" por achar que a composição dos governos compete ao primeiro-ministro e as escolhas erradas são julgadas nas urnas.
"Mas, a ser verdade a recusa em renovar esta frota extra de 100 ambulâncias para esta época de infeções respiratórias generalizadas, é suficientemente grave para ter uma posição diferente" justificou.
Cotrim Figueiredo reagia a uma notícia do Expresso de que os peritos alertaram que neste outono e inverno a gripe seria mais severa e era preciso garantir que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) estaria preparado, mas o Governo não reativou o plano extraordinário para garantir mais ambulâncias que vigorou na época gripal do ano passado.
O ex-líder da IL assinalou ainda que, se fosse Presidente da República, falava com o primeiro-ministro e recomendar-lhe-ia que substituísse a ministra da Saúde.
Em sua opinião, os problemas da saúde são muito mais profundos e estruturais do que aqueles que se tentam resolver com remendos quando acontecem tragédias.
"Os problemas são muito mais profundos e, enquanto não houver uma identidade, uma correspondência e um alinhamento entre aquilo que são o futuro profissional e o bem-estar financeiro dos profissionais de saúde e das instituições que prestam cuidados de saúde, com o bem-estar dos utentes, estes problemas vão continuar a existir", entendeu.
Ainda a propósito de saúde, designadamente da morte de um utente na terça-feira, no Seixal, depois de quase três horas à espera de socorro do INEM, Cotrim Figueiredo disse, de manhã, que o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) não pode falhar porque as suas falhas têm consequências.