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Retoma "excelente" garantiu 95% de clientes abastecidos ao fim do dia

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O presidente da E-Redes afirmou hoje que a recuperação energética no dia do apagão, a 28 de abril de 2025, foi "excelente", tendo sido possível que 95% dos clientes tivessem eletricidade ao fim do dia.

Numa audição no parlamento, no grupo de trabalho criado na Comissão de Ambiente e Energia sobre o apagão energético, o presidente do Conselho de Administração da E-Redes, José Ferrari Careto, disse que a empresa esteve em contacto permanente com a REN, que ia dizendo "podem ligar mais x 'megawatts' de consumo".

"Ao final do dia, tínhamos 95% dos clientes abastecidos", disse o líder da empresa responsável pela distribuição de energia elétrica no país, explicando que a recuperação foi sendo feita à medida que a REN "ia dando mais energia".

Só a partir do momento em que o sistema adquiria robustez e havia confiança é que a E-Redes podia ir "ligando cada vez mais" clientes, frisou José Ferrari Careto à medida que apresentava uma cronologia dos acontecimentos.

"Na prática, a recuperação acaba por iniciar-se por volta das quatro da tarde. Depois, uma recuperação mais intensa só é possível ali por volta das nove da noite, em que há já uma recuperação já muito rápida. Porquê? Porque, no fundo, o sistema já estava disponível para aceitar mais carga, mais consumo", situou.

O facto de o abastecimento ter sido retomado cerca das "quatro, cinco, cinco e meia" da tarde e no final do dia haver "95% dos clientes energizados" é para o presidente da E-Redes "uma recuperação que faz jus àquilo que é a 'performance' do país do ponto de vista do setor da eletricidade".

"Foi uma excelente recuperação. Tendo dito isto, obviamente há sempre ensinamentos e lições a aprender", vincou, referindo que este tipo de incidentes "acontece uma vez na vida".

O corte generalizado de eletricidade afetou o território continental por volta das 11:30 em Lisboa.

De acordo com a cronologia apresentada na audição de hoje, a 1.ª tentativa de reposição de carga aconteceu às 14:45, através da central de Castelo de Bode, seguindo-se a reposição de carga a partir do ponto injetor Zêzere às 15:31.

José Ferrari Careto explicou que o processo de recuperação envolve uma "vertente exclusivamente técnica" e "uma vertente que é uma vertente de priorização de clientes" a abastecer.

A zona de Castelo Bode, o primeiro local com energia, não o foi por ser prioritária, mas porque era perto do centro eletroprodutor e porque as características se adequavam, explicou. Depois, seguiu-se uma recuperação paulatina.

Às 19:25 iniciou-se o fornecimento no Porto e às 20:12 em Lisboa.

Na madrugada, às 01:00 de dia 29 de abril, deu-se a energização da última subestação nos 60kV e às 03:00 a conclusão da reposição de fornecimento, segundo a cronologia apresentada por José Ferrari Careto.

Quando foi ouvido no parlamento a 17 de dezembro passado, o presidente executivo da REN, Rodrigo Costa, disse não ser possível garantir que não ocorrerão novos apagões e defendeu que a prioridade do sistema elétrico deve ser a capacidade de recuperação rápida perante riscos técnicos, climáticos ou de cibersegurança.

O grupo de peritos da Rede Europeia de Operadores de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E) apontou como causa mais provável um aumento de tensão em cascata -- observados no sul de Espanha na fase final do incidente -- seguido de desligamentos súbitos de produção, sobretudo renovável, que conduziram à separação elétrica da Península Ibérica em relação ao sistema continental, com perda de sincronismo e colapso da frequência e tensão.

O relatório final sobre o apagão elétrico será publicado neste primeiro trimestre de 2026.