"Alternativas" avaliadas por Trump sobre Gronelândia incluem via militar
O Presidente norte-americano, Donald Trump, está a avaliar com a sua equipa "múltiplas alternativas" para tomar posse do território dinamarquês da Gronelândia, incluindo por via militar, afirmou hoje a Casa Branca.
Trump "deixou claro que a aquisição da Gronelândia é uma prioridade de segurança nacional para os Estados Unidos e é vital para manter sob controlo os nossos adversários na região do Ártico", disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
"O Presidente e a sua equipa estão a discutir múltiplas alternativasopções para cumprir este importante objetivo de política externa e, claro, utilizar as Forças Armadas dos Estados Unidos é sempre uma opção disponível para o comandante-chefe", adiantou, citada pela AFP.
Situada no Ártico, a Gronelândia é um território autónomo do Reino da Dinamarca, que é membro da NATO, aliança militar liderada pelos Estados Unidos.
Fontes da CBS indicaram que as opções que Trump está a considerar incluem a possibilidade de comprar a Gronelândia ou assinar um acordo de livre associação.
As mesmas fontes indicaram que o Presidente norte-americano pretende resolver esta questão antes do fim do seu mandato.
Na sequência do ataque à Venezuela para capturar o Presidente Nicolás Maduro, no sábado, Trump reiterou que os EUA "precisam da Gronelândia do ponto de vista da segurança nacional".
O ministro dos Negócios Estrangeiros gronelândes disse hoje que as autoridades do território e a Dinamarca pediram uma reunião com o secretário de Estado norte-americano para debater as recentes declarações de Donald Trump.
"O objetivo da reunião é discutir as declarações marcantes dos Estados Unidos sobre a Gronelândia", escreveu Vivian Motzfeldt nas redes sociais.
"Até agora não foi possível para o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, encontrar-se com o governo da Gronelândia. Apesar do governo da Gronelândia e o governo dinamarquês terem, ao longo de 2025, pedido uma reunião ao nível dos ministros dos Negócios Estrangeiros", acrescentou.
O homólogo dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, afirmou que "chegou a altura" de contactar o secretário de Estado norte-americano.
"Fizemos o pedido ontem (terça-feira). Não posso dizer quando ocorrerá, mas precisamos de esclarecer alguns mal-entendidos", afirmou Rasmussen.
O anúncio surgiu quando se realiza no parlamento dinamarquês uma reunião entre o governo dinamarquês e a comissão parlamentar dos Negócios Estrangeiros sobre as relações entre o reino da Dinamarca, que inclui as Ilhas Faroé e a Gronelândia, e os Estados Unidos.
No início do dia, França, Alemanha, Itália, Polónia, Espanha e Reino Unido emitiram uma declaração conjunta de apoio à Dinamarca face às reivindicações de Donald Trump sobre a Gronelândia.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros nórdicos também salientaram num comunicado conjunto que os assuntos relativos à Dinamarca e à Gronelândia devem ser decididos exclusivamente pela Dinamarca e pela Gronelândia.
Em Paris, onde participou numa cimeira dos aliados da Ucrânia, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, congratulou-se com esta demonstração de solidariedade.
"Isto contribui, em todo o caso, para sublinhar que não se trata apenas de um conflito com o reino da Dinamarca (...), mas sim com toda a Europa", afirmou ao canal de televisão DR.