Rússia celebra posse de Delcy Rodríguez perante "ameaças neocoloniais"
O Governo russo celebrou hoje a posse de Delcy Rodríguez como Presidente interina da Venezuela, afirmando que esta garante a unidade da nação caribenha perante "flagrantes ameaças neocoloniais e agressão armada estrangeira", após o ataque norte-americano.
"Este passo demonstra a determinação do Governo bolivariano de garantir a unidade e manter a estrutura do poder organizada de acordo com a legislação nacional, travar os riscos de uma crise constitucional e criar as condições necessárias para manter o desenvolvimento pacífico e estável da Venezuela perante as flagrantes ameaças neocoloniais e a agressão armada estrangeira", declarou o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) russo num comunicado.
Na nota de imprensa, publicada no seu portal oficial, o MNE russo saudou também "os esforços empreendidos pelas autoridades do país para defender a soberania do Estado e os interesses nacionais".
"Reafirmamos a inabalável solidariedade da Rússia para com o povo e o Governo venezuelanos", sublinhou o MNE russo, desejando êxito a Rodríguez e assegurando-lhe que Moscovo continuará a "prestar o apoio necessário" à nação latino-americana.
A diplomacia russa vincou que "a Venezuela deve ter garantido o direito de determinar o seu próprio destino sem ingerências estrangeiras destrutivas".
"Defendemos consistentemente a normalização da situação e a resolução de todos os problemas através do diálogo construtivo e do respeito das normas do Direito Internacional, sobretudo da Carta das Nações Unidas", afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros, acrescentando que "a América Latina e as Caraíbas devem continuar a ser uma zona de paz".
A vice-presidente executiva da Venezuela tomou na segunda-feira posse como Presidente interina do país, dois dias após a captura do Presidente, Nicolás Maduro, e da mulher, a congressista Cilia Flores, pelas forças norte-americanas, no contexto de uma série de ataques em Caracas e em três estados vizinhos.
Empossada pelo irmão, o presidente da Assembleia Nacional (AN, parlamento), Jorge Rodríguez, a primeira mulher na história da Venezuela a chefiar o poder executivo assegurou que, nestas "horas terríveis de ameaças à estabilidade", não descansará "nem um minuto, para garantir a paz" na Venezuela.
Maduro e Flores foram capturados no sábado, durante uma ofensiva dos Estados Unidos a Caracas e três estados vizinhos, e presentes na segunda-feira num tribunal federal em Nova Iorque, para a sua primeira audiência, onde se declararam inocentes de todas as acusações e continuarão detidos pelo menos até à próxima audiência, agendada para 17 de março.
Nicolás Maduro é acusado nos Estados Unidos de quatro crimes federais: conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos e conspiração para possuir tais armas em apoio de atividades criminosas, além de colaboração com organizações classificadas como terroristas por Washington.
A comunidade internacional dividiu-se entre a condenação ao ataque dos Estados Unidos a Caracas e saudações pela queda de Maduro.
A União Europeia defendeu que a transição política na Venezuela deve incluir os líderes da oposição, María Corina Machado e Edmundo González, ao passo que o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para que a ação militar norte-americana poderá ter "implicações preocupantes" para a região, além da possível "intensificação da instabilidade interna" na Venezuela.