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UE mantém contacto com Delcy Rodriguéz mesmo sem legitimar

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FOTO MIRAFLORES PALACE HANDOUT/EPA

A UE vai continuar a manter contacto com a Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguéz, como fazia com o anterior Governo, apesar de não reconhecer a sua legitimidade, para salvaguardar interesses e princípios.

"Continuaremos a fazer o mesmo que até agora, apesar de não termos reconhecido a legitimidade do Presidente [capturado pelos Estados Unidos no sábado, Nicolás] Maduro nem de Delcy Rodriguéz", até agora vice-presidente do líder venezuelano, referiu a porta-voz do Serviço de Ação Externa da UE Anitta Hipper.

Na conferência de imprensa diária da Comissão Europeia, Hipper acrescentou que o bloco comunitário manterá "um compromisso específico com as autoridades venezuelanas para salvaguardar os próprios interesses e defender os próprios princípios" da UE.

Bruxelas não reconhece a legitimidade democrática das autoridades de Caracas, saídas do processo eleitoral em 28 de julho de 2024, considerado fraudulento.

Delcy foi empossada na segunda-feira como Presidente interina da Venezuela, na sequência do ataque norte-americano contra o país, no qual o Maduro e a mulher, Cilia Flores foram capturados e levados para os Estados Unidos.

Maduro e Flores, acusados por um tribunal nova-iorquino de tráfico de droga, corrupção e branqueamento de capitais, declararam-se inocentes numa breve audiência, estando marcada para 17 de março uma nova comparência em tribunal.

A comunidade internacional dividiu-se entre a condenação ao ataque dos EUA, que anunciaram a intenção de governar o país até se concluir uma transição de poder, e saudações pela queda de Maduro.

Na segunda-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, disse ter "notícias tranquilizadoras" dos cerca de meio milhão de membros da comunidade portuguesa, entre cidadãos nacionais e lusodescendentes, sublinhando que estão "numa situação de volatilidade" e que a responsabilidade do Governo é "cuidar deles".

Rangel defendeu a necessidade de trabalhar para uma "solução que traga estabilidade" e insistiu que Portugal considera o opositor Edmundo González Urrutia como "o Presidente legítimo".

A UE defendeu que a transição política na Venezuela deve incluir os líderes da oposição María Corina Machado e Edmundo González. O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a ação militar dos EUA poderá ter "implicações preocupantes" para a região.