Israel acusa Maduro de branqueamento de capitais do Hezbollah
O Governo israelita acusou hoje o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, preso no sábado pelos Estados Unidos numa 'operação relâmpago', de branquear capitais da milícia xiita libanesa Hezbollah, com o apoio do Irão.
"Maduro liderou um regime terrorista apoiado pelo Irão, utilizando a Venezuela como plataforma para o narcotráfico e o branqueamento de capitais de redes terroristas do Hezbollah. Posso dizer-vos que a Venezuela também faz parte do eixo do terror [iraniano]", declarou a porta-voz do Executivo israelita, Shosh Bedrosian, na conferência de imprensa diária.
Bedrosian ecoou igualmente a posição do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel, que considerou que a Venezuela "serviu de base para operações terroristas do Hezbollah" e que "acolheu instalações de produção de armamento iraniano".
"O primeiro-ministro [israelita, Benjamin Netanyahu,] declarou que o Irão exporta o seu terrorismo para a Venezuela para prejudicar Israel e os Estados Unidos, e que tem trabalhado em conivência com o regime de Maduro", acrescentou Bedrosian.
O chefe do Governo israelita já tinha celebrado, no sábado, o facto de "muitos países" da América Latina "estarem a regressar ao eixo norte-americano", depois de os Estados Unidos terem atacado vários pontos estratégicos da Venezuela e capturado Maduro em Caracas.
Netanyahu felicitou igualmente o Presidente norte-americano, Donald Trump, pela operação, responsável por ordenar os ataques e a captura de Maduro.
O ex-Presidente venezuelano passou as últimas horas num centro de detenção de alta segurança em Nova Iorque e já se encontra num tribunal da cidade para uma primeira sessão com a justiça norte-americana.
Domingo, as declarações do primeiro-ministro israelita foram no mesmo sentido dos elogios feitos publicamente a Trump pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gideon Saar, manifestando o desejo de que, "com o regresso da democracia ao país" caribenho, Israel e a Venezuela possam restabelecer "relações de amizade".
O Supremo Tribunal de Justiça (TSJ) da Venezuela determinou domingo que a vice-presidente executiva, Delcy Rodríguez, assuma a presidência interina do país sul-americano.
Na intervenção de sábado, após ser conhecida a captura de Maduro, Rodríguez afirmou que os EUA lançaram "uma operação com o único objetivo de uma mudança de regime e de se apoderarem dos recursos naturais da Venezuela" e acrescentou, entre outros pontos, que o ataque norte-americano tinha "um cunho sionista".
Desde que o falecido Presidente venezuelano Hugo Chávez rompeu relações diplomáticas com Israel, em 2009, no âmbito da operação "Chumbo Fundido" em Gaza (2008-2009), a Venezuela tornou-se um dos países mais críticos das políticas israelitas em relação aos palestinianos e da atuação externa de Israel na região do Médio Oriente.
Entretanto, a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, que aguarda com incerteza a evolução política do país e os planos de Trump para a Venezuela, tem manifestado repetidamente apoio à ofensiva israelita em Gaza, após os ataques do Hamas de 07 de outubro de 2023, tendo mesmo referido a intenção de estabelecer uma embaixada em Jerusalém caso chegue ao poder.