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Exército reconhece Delcy Rodríguez como presidente interina

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Foto EPA

O exército venezuelano reconheceu hoje a vice-presidente do país, Delcy Rodríguez, como Presidente interina, anunciou o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, um dia após o chefe de Estado, Nicolás Maduro, ter sido capturado por militares dos Estados Unidos.

Numa declaração lida, o general citou a decisão do Supremo Tribunal ordenando a Delcy Rodríguez que assuma o poder por 90 dias, noticiou a agência EFE.

Na mesma declaração, em que exigiu a libertação de Nicolás Maduro, o ministro da Defesa também denunciou o assassinato "a sangue frio" de alguns membros da equipa de segurança.

De acordo com a Europa Press, Padrino López revelou numa conferência de imprensa que na madrugada de sábado os militares norte-americanos prenderam Maduro "após ter assassinado a sangue frio grande parte da sua equipa de segurança, soldados e cidadãos inocentes".

O ministro enfatizou ainda que as Forças Armadas garantem a continuidade constitucional ao empossar Delcy Rodríguez como Presidente interina.

"As Forças Armadas Nacionais Bolivarianas, em perfeita unidade com o povo, garantiram a continuidade democrática da Venezuela e continuarão a fazê-lo. Porque a ordem e a paz são o nosso porto seguro, como disse Bolívar", afirmou Padrino na declaração, em que manifestou apoio à decisão do Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela e ao agendamento da cerimónia de posse da nova Assembleia Nacional para segunda-feira, 05 de janeiro.

"O Governo bolivariano garantirá a governabilidade do país", disse, acrescentando que as Forças Armadas "continuarão a empregar todas as suas capacidades disponíveis para a segurança, a manutenção da ordem interna e a preservação da paz".

O ministro exortou ainda a população a "não ceder às tentações da guerra psicológica, das ameaças e do medo" por parte dos Estados Unidos e a "retomar as atividades económicas, de trabalho e todas as demais, incluindo a educação, nos próximos dias".

"A nação precisa voltar a pautar-se pela sua Constituição", vincou.

Em entrevista ao programa "Face the Nation with Margaret Brennan", emitido hoje de manhã, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, deixou um aviso: "Vamos avaliar a situação daqui para a frente. Vamos julgar tudo com base nas suas ações e veremos o que farão."

O secretário de Estado disse à CBS que Rodríguez "é alguém com quem se pode trabalhar", ao contrário de Maduro, com quem "simplesmente não foi possível trabalhar", já que "nunca cumpriu nenhum dos acordos que fez", e a quem, mesmo assim, foi dada "oportunidade de se retirar de cena" pacificamente.

Os Estados Unidos lançaram no sábado "um ataque em grande escala contra a Venezuela" para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.

Horas depois do ataque, e não sendo ainda claro quem vai dirigir o país após a queda de Maduro, o Presidente norte-americano, Donald Trump, admitiu uma segunda ofensiva contra o país se for necessário.

Nicolás Maduro e a mulher foram transportados para Nova Iorque e o ex-presidente vai comparecer na segunda-feira num tribunal em Manhattan, sob acusações de "narcoterrorismo".

Entretanto, o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela entregou a presidência interina à vice-presidente executiva, Delcy Rodriguez, "de forma a garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da nação".

Delcy Rodriguez será a primeira mulher na história do país a liderar o executivo.

A comunidade internacional dividiu-se entre a condenação ao ataque dos Estados Unidos a Caracas e saudações pela queda de Maduro, e o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou que a ação militar dos Estados Unidos poderá ter "implicações preocupantes" para a região.