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Madeira

Bloco de Esquerda critica gastos em campo de golfe e apela a mais habitação na Madeira

"Quais são os madeirenses que vão realmente beneficiar deste tipo de campos de golfe?", questionou o dirigente regional do BE

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O dirigente regional do Bloco de Esquerda (BE), Diogo Teixeira, participou este sábado numa iniciativa do partido na Nazaré, onde abordou a questão da habitação na Madeira, considerando que a região enfrenta “a maior crise” neste sector.

Durante a intervenção, Teixeira criticou o que descreveu como uma "dualidade de critérios" no uso de fundos públicos: “Enquanto se diz que não há dinheiro para construir habitação suficiente, enquanto se diz que não há dinheiro suficiente para dar apoio às pessoas, também se gasta milhões de euros em campos de golfe”, afirmou.

O dirigente referiu-se especificamente ao projeto na Ponta do Pargo, cujo custo inicial era de 20 milhões de euros e que, segundo notícias recentes, já terá atingido os 50 milhões de euros. “Estes apartamentos atrás de nós foram construídos com cerca de 3 milhões de euros e foram suficientes para construir 33 apartamentos. Quantos apartamentos deveriam ser construídos com os 50 milhões de euros gastos no Campo de Golfe da Ponta do Pargo?”, questionou.

Teixeira sublinhou ainda que estes investimentos não beneficiam a população: “Quais são os madeirenses que vão realmente beneficiar deste tipo de campos de golfe? Quem consegue dormir descansado sabendo que no mês seguinte tem onde dormir graças a um campo de golfe?”

O dirigente criticou a utilização de fundos públicos, incluindo dinheiro do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e da União Europeia, para estes projectos. “O campo de golfe nunca deveria ter sido pago com o dinheiro dos contribuintes madeirenses. Este dinheiro poderia estar a construir casas e a distribuir apoios às rendas”, vincou.

Como alternativa, o Bloco de Esquerda defende a construção de mais habitação em toda a ilha, incluindo no Porto Santo, a limitação das rendas e a reabilitação de bairros degradados, como o Bairro de Santa Maria. “Há pessoas que têm de ir para casa dos pais ou ficar em salas de amigos porque os senhorios aumentaram os valores das rendas para alojamento local. É preciso limites ao alojamento local e mais respostas habitacionais”, salientou.

“Mais uma vez isto é brincar com o dinheiro dos madeirenses. O dinheiro dos madeirenses não pode ser gasto desta maneira”, concluiu Diogo Teixeira, reafirmando a crítica à prioridade dada a campos de golfe em detrimento das necessidades básicas de habitação da população.