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Desodorizante ou antitranspirante?

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Foto Shutterstock

Desodorizantes e antitranspirante não são a mesma coisa e a escolha, entre um ou outro, depende do problema e de preferências pessoais. Não são produtos concorrentes, mas respostas diferentes a necessidades distintas. A produção de suor é normal e faz parte do mecanismo de regulação da temperatura corporal.

São várias as razões para a produção de suor, para além do aumento da temperatura corporal por exposição ao calor, ou quando é feito exercício. O stress, a ansiedade, a alimentação, podem aumentar a produção. O género e a idade são exemplos de factores que influenciam o tipo de odor e/ou a sua intensidade, bem como hábitos pessoais no que respeita à alimentação, consumo de bebidas alcoólicas e tabaco, e hábitos de higiene.

O suor é produzido pelas glândulas sudoríparas, que se estima serem mais de dois milhões em casa pessoa. Estas glândulas localizam-se na derme, e dividem-se em dois tipos, que produzem suores diferentes.

As glândulas écrinas distribuem-se pela pele de todo o corpo e produzem um suor mais aquoso, que é lançado na superfície da pele, arrefecendo-a. Servem para regular a temperatura do corpo. As glândulas apócrinas começam a funcionar na puberdade, e concentram-se, sobretudo, nas axilas, região genital e plantar. Produzem um suor mais oleoso, que é lançado nos folículos pilosos.

É importante dar nota que o suor, quando se forma, não tem odor. O cheiro que pode vir a ter resulta da acção de microorganismos que vivem na pele (microbioma) e que são importantes para a sua protecção. As zonas do organismo mais quentes e húmidas oferecem um ambiente mais favorável para a acção destes microorganismos.

Os problemas com o suor podem estar relacionados com uma produção excessiva, e/ou com odores desagradáveis. Todos suamos da mesma maneira, mas a quantidade e frequência varia de pessoa para pessoa. A escolha entre desodorizantes e antitranspirantes depende das necessidades individuais de cada um.

Os desodorizantes actuam essencialmente no controlo do odor, sem interferir com a produção de suor. Para isso, inibem a actividade das bactérias que dão origem ao mau odor. Contêm ingredientes inibidores do crescimento e acção dos microorganismos, que mascaram o odor desagradável, e que absorbem odores.

Os antitranspirantes contribuem para reduzir a quantidade de suor produzida. Habitualmente, têm na sua fórmula sais de alumínio, utilizados com segurança há mais de um século, com o objectivo de bloquear temporariamente a saída do suor pelas glândulas sudoríparas. Quando aplicados diminuem a humidade local, criando um ambiente menos favorável à proliferação bacteriana, controlando, mais eficazmente, o odor.

Não existe, de momento, evidência científica que associe directamente o uso de antitranspirante a um aumento do risco de cancro da mama, em consequência da presença de sais de alumínio na sua composição.

A escolha entre desodorizante e antitranspirante recai, assim, sobre o utilizador. Depende do objectivo e das preferências de cada um, ficando também à escolha a forma como são aplicados, entre spray, rol-on, stick, creme.

Os desodorizantes, com fórmulas mais suaves e bem toleradas, são a opção adequada para quem tem uma transpiração normal e pele sensível. Os antitranspirantes estão indicados em situações de transpiração mais intensa, como em períodos de maior calor, ou prática de actividade física. É uma solução eficaz quando se procura uma proteção mais duradoura, ao longo do dia.  

Quando há uma produção consistentemente excessiva de suor pode tratar-se de hiperhidrose, que afecta cerca de 3% da população, e para a qual existem vários tipos de tratamento. Os restantes casos resolvem-se, de melhor ou pior forma, com desodorizantes ou antitranspirantes, tentando controlar as situações que agravam o problema e adoptando os cuidados de higiene necessários.

Nem os desodorizantes nem os antitranspirantes são uma alternativa a cuidados de higiene. A sua utilização eficaz pressupõe que a lavagem corporal é feita correctamente e de acordo com as necessidades de cada um, e que a roupa usada é lavada e mudada com a frequência necessária. Sobretudo a roupa interior e outras peças que contactem directamente com as zonas do corpo que suam mais devem ser mudadas diariamente.