Venezuela, Ucrânia, Taiwan e as eleições presidenciais
A imprevisibilidade de Donald Trump deixa qualquer estudioso em geopolítica e relações internacionais de cabelos em pé. É muito difícil de entender alguns dos seus passos e mais ainda de prever o que irá fazer a seguir uma vez que a diplomacia americana de hoje em dia, foge de uma forma quase oposta à sua estratégia diplomática tradicional. Ninguém com o mínimo de bom senso acreditará nas suas boas intenções, tudo é feito com um propósito e esse mesmo propósito tem quase sempre a ver com negócios, dinheiro, fama ou poder. A verdade é que da mesma forma que ninguém acreditará nas boas ações do presidente americano também é do senso comum que o regime venezuelano, autoritário, repressivo e distópico não serve um povo cansado de sofrer e de viver na miséria, dominado e sequestrado, com os seus direitos e liberdades capturados. O que aí virá num futuro próximo nós não sabemos mas na conferência de imprensa de ontem foi levantado um pouco do véu. Os EUA pretendem gerir a Venezuela até assegurar uma transição pacifica ou por outras palavras até as companhias petrolíferas americanas estarem perfeitamente instaladas bem como assegurado o controlo do negócio.
Se a queda do regime de Maduro é uma excelente noticia para a sociedade venezuelana, o passo que se dá para o regresso do imperialismo como nova ordem mundial muita tinta fará correr. Mas vamos por partes. É fundamental terminar com regimes opressores e ditatoriais e o da Venezuela é efetivamente um deles. Arranjar o pretexto do narcotráfico é uma boa muleta e uma causa válida. Por principio a prisão de Maduro é assim fundamental e necessária embora a forma seja discutível. Muitas vezes os meios justificam os fins. O que me preocupa e nos deve preocupar a todos são as razões que estarão por trás de tal ação. O dinheiro dos recursos naturais. Preocupa-me também que as grandes potências estejam a dividir o mundo em três numa espécie de novo tratado de Tordesilhas, com quintais e quintinhas, onde a única lei que impera é a lei do mais forte. Vai a Venezuela para os EUA com a permissão de parte da Ucrânia ficar com a Rússia e lá se vai vislumbrando ao fundo o ataque final da China a Taiwan. Quem deve decidir o futuro do país Sul Americano são os venezuelanos e não os americanos por isso devem-se arranjar condições para que seja reposta a legalidade com urgência contribuindo para a formação de um governo legitimo. Que a voz e o poder seja devolvido a quem o merece.
Mudando de assunto, aproximam-se a passos largos as eleições presidenciais em Portugal. Quis o destino (há quem lhe chame Karma) e as diversas idiossincrasias da vida que num tempo em que as sondagens estejam mais desacreditadas do que nunca, elas possam ter um papel decisivo nos resultados finais. Passo a explicar. Existindo cinco candidatos com possibilidades de figurar na lista dos dois que passam à segunda volta, haverá muita gente que ficará na dúvida entre votar no candidato que mais gostam ou votar no segundo que mais gostam se este (segundo as ultimas sondagens que saírem a poucos dias da votação) estiver mais próximo de o conseguir. Imaginem que nos estudos finais aparecerem três mais bem posicionados e e dois um pouco mais atrás. Isto poderá ser razão suficiente para que muitos se tentem pelo voto útil na esperança de conseguirem pelo menos dos três, um da sua preferência.
Será por isso muito importante estarmos atentos a jogadas de bastidores e estudos “encomendados” que possam adulterar o sentido de voto. Considero que está à vista de todos que existem cinco candidatos com hipóteses claras de seguir em frente e como tal, devemos relevar o que por aí sair e votar com convicção na nossa primeira escolha. Depois na segunda volta logo se vê. Por agora, não nos deixemos influenciar e apostemos em quem acreditamos ser o melhor dos cinco.
Frases Soltas:
A China decidiu aplicar a taxa de IVA aos contraceptivos (preservativos e pílulas). No fundo é uma forma de deixar que os produtos sejam tão acessíveis e apelativos, tudo por causa da queda da natalidade. Ficam assim sujeitos à taxa normal de 13% aplicável à maioria dos bens de consumo do país. Esquecem-se assim as gravidezes não planeadas e as doenças sexualmente transmissíveis…
A recente tragédia no bar suíço Le Constellation deixou no ar um clima de consternação generalizado. Ficam muitas respostas ainda por dar e uma atenção mais atenta ao que se vai fazendo por aí no entretenimento. É por isso tão importante dar condições a quem realmente as apresenta para trabalhar e não ser complacente com quem não apresenta as regras de segurança exigidas.