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Eleições Presidenciais País

Seguro deixa-se empatar nos matraquilhos mas ganha um voto liberal

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Foto JOSÉ COELHO/LUSA

O candidato presidencial António José Seguro empatou hoje um jogo de matraquilhos com alunos de Palmela, mas acabou a ganhar o voto de um liberal que "não gosta das ideias do Ventura".

Numa visita à escola de formação ATEC, em Palmela (distrito de Setúbal), mesmo ao lado da Autoeuropa, António José Seguro até começou por trocar os seus clássicos óculos habituais por uns de realidade virtual.

"Estou aqui numa realidade virtual completamente, não é?", perguntou perante a explicação dos alunos que, no cenário virtual, instalavam e construíam uma bateria "completamente em segurança", algo que era visível num ecrã externo.

Num mundo misto entre o virtual onde havia "uma bateria e uma chave inglesa", havia também alguém já bem real "a tirar fotografias" e "o vermelho e o azul" dos microfones dos jornalistas, seguramente não de quaisquer comprimidos vindos do "Matrix".

"Aqui tem um instrumento. Ah, agora desapareceu. Espera lá, porque eu cheguei mais à frente. Aqui tem um instrumento, tem a bancada e ali tem o botão onde se carregando tem... deve ser um botão de emergência", ia contando António José Seguro.

Sem necessidade de o pressionar, bastou tirar os óculos de realidade virtual e voltar aos normais para evitar qualquer problema de ficção científica, e tranquilamente continuar a circular pelo centro de formação tecnológica entre circuitos eletrónicos, carros, soldadores ou computadores.

No meio dos cumprimentos aos formandos - a esmagadora maioria jovens - alguns cumpriam a sua pausa de almoço e desafiaram o candidato para uma partida de matraquilhos, que ficou prometido para mais tarde por, no momento, não haver bola.

Pelo contrário, Seguro acabou mesmo a 'dar bola' a David, um jovem assumido da Iniciativa Liberal que quis falar com o candidato presidencial apoiado pelo Partido Socialista sobre "que ideias apelariam" a pessoas como ele.

"Para votar em mim? Em primeiro lugar, nesta eleição não há partido. Há candidatos. Segundo, eu sou um defensor da liberdade. Terceiro, eu sou um defensor do Estado de Direito. Ou seja, daquilo que se chama as democracias liberais. Portanto, aí há uma convergência de pontos de vista", explicou Seguro ao jovem.

O candidato declarou-se também "uma pessoa muito focada no futuro" do país, defendendo "uma economia competitiva" com "um Estado que estimule e ajude essa economia, mas que não a limite", sendo também "um defensor da economia de mercado".

"Eu tenho a ideia muito clara, não é o Estado que cria empregos. Quem cria empregos são as empresas, não é? Então nós precisamos ter esta economia de mercado e temos que gerar também os equilíbrios para depois termos um Estado social que garante a saúde, educação e oportunidades", concluiu Seguro.

O jovem David disse a Seguro que até "já sabia em quem votava" mas "queria ouvi-lo da sua boca".

"Não gosto das ideias do Ventura", rematou o jovem aos jornalistas.

Enquanto percorria mais salas e distribuía cumprimentos, Seguro não parou de mencionar o jogo de matraquilhos prometido, em mais uma simulação do mundo real.

Juntou-se a Beatriz contra dois Miguéis - um deles Costa, que foi recebendo incentivos de "vai Costa" da plateia - e, a controlar o guarda-redes e dois defesas, Seguro até começou a ganhar com uma margem confortável.

Porém, depois de tantos incentivos a Costa e após comparações com o golo do guarda-redes do Benfica, Trubin, na véspera - e de uma sugestão do candidato de permitir um salomónico empate - o jogo acabou 2-2, não dando ao benfiquista Seguro tantos motivos para festejar como na quarta-feira à noite.