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Comissário europeu defende que UE não deve ficar dependente de energia dos EUA

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Foto EPA

O comissário europeu da Energia defende que a União Europeia (UE) não pode ficar dependente da energia dos Estados Unidos, depois de isso ter acontecido com a Rússia, e falou em "tempos muito turbulentos" para a segurança energética.

"Ouço isso claramente quando falo com ministros da energia e chefes de Estado por toda a Europa: existe uma preocupação crescente, que partilho, de que possamos estar a substituir uma dependência por outra", afirmou Dan Jørgensen.

Falando sobre as suas iniciativas para este ano a um grupo de jornalistas europeus em Bruxelas, incluindo a Lusa, o responsável europeu pela tutela apontou que, antes da invasão russa da Ucrânia em fevereiro de 2022, "a Rússia era o segundo maior fornecedor [da UE] -- a Noruega continua a ser o primeiro -- e, agora, os Estados Unidos são o segundo".

"Não queremos conflitos comerciais e, obviamente, não queremos conflitos de maior escala relacionados com o território de Estados-membros", mas "é claro que a turbulência geopolítica resultante da crise em torno da Gronelândia foi um alerta", acrescentou o comissário europeu da Dinamarca.

As declarações surgem num contexto de tensões entre a UE e os Estados Unidos pelas ameaças destes últimos relativamente a uma eventual anexação da Gronelândia, um território autónomo dinamarquês, e também quando os EUA são importantes parceiros energéticos do bloco comunitário.

"Estes são tempos muito turbulentos, obviamente", admitiu.

Perante tais tensões geopolíticas, Dan Jørgensen defendeu que a UE deve continuar "ativamente à procura de alternativas" e "falar com países de todo o mundo que podem fornecer gás natural liquefeito", nomeadamente do norte de África.

"Esperamos diversificar ainda mais as nossas importações", assegurou.

A UE é o maior importador mundial de GNL e, em 2024, importou mais de 100 mil milhões de metros cúbicos (m³).

A invasão da Ucrânia pela Rússia e a utilização do aprovisionamento de gás como arma levaram os Estados-membros da UE a desenvolver ainda mais as suas infraestruturas de GNL.

Graças a tais investimentos, a capacidade de importação de GNL da UE aumentou 70 mil milhões de m³ em 2023-2024, prevendo-se que venham a estar disponíveis mais 60 mil milhões de m³ entre 2025 e 2030.

Portugal é um dos países com infraestrutura de GNL, no terminal de Sines, com uma capacidade anual de 7,6 mil milhões de m³ e uma capacidade de armazenamento de 390.000 m³.

O terminal de Sines é, inclusive, crucial para receber carga norte-americana de GNL.

"Estamos gratos por ser possível importar GNL dos Estados Unidos agora e que isso venha a aumentar nos próximos meses e anos porque isso é absolutamente essencial para conseguirmos eliminar a dependência da Rússia", mas "vivemos num mundo em que precisamos de ser capazes de cuidar de nós próprios em todos os domínios", adiantou o comissário europeu.

Esta semana, a UE adotou formalmente a proibição das importações do gás da Rússia, que decorrerá gradualmente até 2027 e prevê sanções a infratores.

Nestas declarações à Lusa e a outros meios europeus, Dan Jørgensen anunciou ainda querer alargar tal proibição ao petróleo: "Atualmente, 13% do nosso gás vem da Rússia e isso está a ser progressivamente eliminado. [...] Depois, gradualmente, até 2027, deixaremos completamente de importar gás russo e também apresentarei uma proposta para eliminar a dependência - embora menor - do petróleo".

Atualmente, cerca de 3% do petróleo importado pela UE ainda vem da Rússia e, segundo o responsável, "isso tem de acabar".