Marítimo e os Direitos Televisivos

Fala-se que a centralização dos direitos televisivos vai dar mais dinheiro aos clubes pequenos e menos aos grandes para aumentar a competitividade. Mas sejamos realistas, isso não parece bom demais para ser verdade? E mais, os grandes vão mesmo aceitar perder receitas? Não me parece.

Clubes como o Marítimo já demonstraram, ao longo dos anos, capacidade negocial, visão estratégica e competência para valorizar o seu produto, mesmo sem os recursos financeiros dos três grandes. No entanto, nunca partiram em pé de igualdade.

Se a distribuição for feita de forma equilibrada, pode ser muito boa para o futebol português. Mas se continuarmos com o esquema de sempre, quase tudo para os três grandes e o resto para os outros, então isto não vale a pena.

Na Liga, dificilmente haverá consenso. As pressões dos grandes falarão mais alto e, no fim, a decisão acabará por recair sobre o Governo. Resta esperar que exista coragem para seguir modelos europeus bem-sucedidos, em vez de inventar soluções que nos conduzam, mais uma vez, à estaca zero, e a proteger os de cima.

Também não me parece que o Governo queira comprar uma guerra com os adeptos dos três grandes, que são maioria num país onde a mentalidade pequena ainda pesa demasiado. Por isso, é legítimo desconfiar se esta centralização será realmente justa ou apenas mais um arranjo para manter privilégios.

Marco Serrão