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Há um novo vírus na Ásia a fazer soar os alarmes

Nos últimos dias, um novo vírus voltou a chamar a atenção das autoridades de saúde, sobretudo na Ásia.

De nome 'Nipah', o vírus é classificado como letal e já foi designado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um agente patogénico prioritário devido ao seu potencial para desencadear uma epidemia.

Até o momento, cinco casos do vírus Nipah foram confirmados em Bengala Ocidental, na Índia. Em resposta, quase duas centenas de pessoas foram colocadas em quarentena, aumentando os receios de que o vírus possa se espalhar rapidamente.

O vice-director de Saúde do Governo de Bengala Ocidental, Subarna Goswami, admitiu à agência de notícias indiana ANI que podem surgir mais casos, "considerando que o período de incubação do vírus Nipah varia entre quatro a 45 dias".

"Teremos de procurar casos ativos e rastrear os seus contactos. Precisarão de ser mantidos sob observação. Só passados três meses poderemos dizer que não surgiu um terceiro caso e que o surto terminou", afirmou o especialista.

Num esforço para impedir que o vírus se espalhe para além das fronteiras da Índia, vários aeroportos na Ásia já reforçaram as suas medidas de segurança, segundo a BBC News.

À semelhança do que aconteceu na altura da covid-19, países como Tailândia, Nepal e Taiwan implementaram rigorosos controlos de saúde para os passageiros que chegam de regiões onde o vírus está activo. Além disso, os passageiros provenientes de áreas de alto risco também estão a ser monitorizados quanto à presença de febre e outros sintomas virais.

Também o Governo de Hong Kong anunciou um reforço dos controlos de saúde para os viajantes que chegam ao aeroporto da região chinesa vindos da Índia. Num comunicado publicado na segunda-feira à noite, o director do Serviço para a Protecção da Saúde, Edwin Tsui Lok Kin, confirmou o destacamento de equipas para o aeroporto.

O objectivo é "realizar o rastreio da temperatura dos viajantes nas portas de embarque relevantes, realizar avaliações médicas em viajantes sintomáticos e encaminhar casos suspeitos com potencial impacto na saúde pública para os hospitais para exame", explicou o dirigente.

O que é?

O Nipah é um vírus de origem zoonótica, o que significa que pode ser transmitido dos animais para os seres humanos. Acredita-se que a sua origem esteja relacionada com morcegos e porcos.

Qual é a sua origem?

Segundo a OMS, foi identificado pela primeira vez em 1999, na Malásia e em Singapura. Nessa altura, surgiu um surto de uma doença até então desconhecida entre criadores de suínos, que acabou por se propagar à população humana, resultando numa rápida disseminação do vírus e na morte de centenas de pessoas.

Até à data, o Nipah só causou alguns surtos conhecidos na Ásia e não se espalhou a nível global.

Como é transmitido?

A transmissão do vírus acontece, numa fase inicial, através do contacto directo com animais infectados ou com as suas secreções. Estas podem incluir, por exemplo, gotículas respiratórias ou secreções nasofaríngeas. A transmissão entre seres humanos dá-se de forma semelhante.

Adicionalmente, a infecção pode ocorrer através da ingestão de alimentos contaminados.

Quais são os sintomas?

A infecção causada pelo vírus Nipah pode manifestar-se de formas muito distintas, variando entre casos sem sintomas e quadros clínicos graves. Entre as complicações mais sérias destacam-se a infeção respiratória aguda e a encefalite, que é frequentemente fatal.

Os sintomas iniciais, geralmente mais ligeiros, são semelhantes aos de uma gripe comum e podem incluir: dores de cabeça,  vómitos, febre, dor de garganta,  dores musculares e dificuldades respiratórias.

Caso a doença evolua para encefalite, o doente pode apresentar sintomas adicionais, como tonturas, sonolência, alterações do estado de consciência e outros sintomas neurológicos. Nos quadros mais graves, a encefalite pode levar ao coma num período de 24 a 48 horas.

Actualmente, o tratamento é apenas sintomático, visando o alívio das manifestações clínicas, uma vez que não existe ainda vacina disponível, nem para prevenção nem para a cura da doença.