Carolina Fernandes vive "aventura" para seguir pisadas da mãe
Carolina Magano Fernandes vive por estes dias uma "aventura" para chegar ao Funchal a tempo da estreia de Portugal no Europeu feminino de polo aquático, no qual competirá a partir de segunda-feira, seguindo os passos da mãe.
Magano, que representa a universidade norte-americana de Loyola Marymount, é uma das 15 convocadas pelo selecionador Ferran Pascual para representar Portugal no torneio, que arranca segunda-feira, com as lusas a defrontarem a Roménia no primeiro jogo do grupo B.
Esta participação, a quarta do país neste campeonato da Europa e a primeira desde 2016, é desde logo "um orgulho enorme, e uma responsabilidade ainda maior", diz a jogadora, um dos principais destaques da equipa nacional.
"Sabemos que estamos num grupo muito exigente, com seleções como Hungria e Espanha, referências mundiais na modalidade. A Roménia é uma seleção contra quem já demonstrámos que conseguimos competir, vencemo-las na qualificação para o Europeu. Dá-nos confiança e ambição, mas sem dar nada por garantido. (...) [Queremos] mostrar que Portugal merece estar neste palco", afirma a atleta que tem uma forte ligação à Madeira, ao ser bisneta de Francisco Sousa, grande nome da natação madeirense, e neta de Virgínia Sousa, também figura de destaque da natação regional nos anos 60.
A jovem atacante, de resto, tem vivido "uma aventura" para chegar à Madeira, mas uma que faz "com todo o gosto" -- jogou pela universidade no sábado, seguiu para o Porto, e só depois para a Madeira, a que chegará hoje, na véspera da estreia.
"É exigente física e mentalmente, mas representa bem a minha vontade de estar aqui e representar Portugal, como é óbvio. Trabalhei a vida inteira para chegar a este nível e farei sempre tudo o que estiver ao meu alcance para representar Portugal", atira.
Ao jogar nos Estados Unidos, onde se encontra a estudar Psicologia e a competir a um nível muito superior ao português, tudo exige "mais sacrifício e planeamento", desabafa, de "viagens longas e cansativas, mudanças de fuso horário, treinos, aulas, jogos".
Nascida no Porto em 2003, a antiga jogadora do Fluvial Portuense também já passou pelo Bordéus, em França, numa rara carreira internacional para uma jogadora de polo portuguesa, e estas experiências no estrangeiro fazem-na "sentir ainda mais ligada" ao país.
"Sinto que estou a representar não só o país mas também tudo aquilo de onde venho: a minha família, os clubes onde cresci, quem acreditou em mim; [este] é um momento em que tudo faz sentido e sempre terá o seu especial significado", assume.
Este "desafio enorme", num sistema universitário "exigente académica e desportivamente, com nível competitivo muito alto", faz-se com "disciplina, organização, resiliência", e além disso "obrigou a crescer rapidamente, como atleta e como pessoa".
O polo aquático, de resto, é um amor de sempre, uma vez que a mãe, Isabel, uma das pioneiras lusas na modalidade e também ela presente numa fase final de um Europeu, a levou e à irmã para a modalidade, "se não seria para a natação".
"Fomos experimentar, e desde esse primeiro treino ficámos, no Fluvial, onde cresci como atleta e me apaixonei verdadeiramente pela modalidade. Apaixonei-me pela intensidade, espírito da equipa, dureza do jogo e exigência mental. (...) Esse amor vem muito daí, da entrega total que o polo exige", diz.
Talhada para desafios, como diz, o exemplo da mãe "significa imenso", e seguir os passos de Isabel, como de outras mães de outras jogadoras desta seleção atual, 26 anos depois dessa inspiração, é "uma ligação especial".
É um orgulho enorme, não só a nível individual mas por tudo o que este momento representa para o polo feminino português. É só o começo de um melhor futuro. Quero chegar o mais longe possível, continuar a evoluir, a chegar ao mais alto nível, ajudar a seleção a crescer e a afirmar-se internacionalmente. Realmente quero que Portugal seja respeitado, e sonhar. Eu sonho com mais Europeus, Mundiais, e quem sabe um dia Jogos Olímpicos", admite.
Se por vezes faltam condições, quando comparados com as grandes 'potências' da modalidade, o que nunca falta no plantel em que Carolina se insere "é vontade e compromisso", desdobrando-se em elogios às colegas e equipa técnica, "extremamente trabalhadores e apaixonados", antes de um campeonato em casa, que espera que possa abrir caminho como a mãe e outras pioneiras o fizeram por elas.
"Nós não viemos apenas participar, viemos competir, aprender, crescer e deixar marca. Queremos que quem nos veja jogar sinta orgulho, intensidade e identidade, porque Portugal tem talento, tem caráter e tem futuro no polo aquático feminino. Precisamos é de ser vistas", remata.
Além do polo aquático, a Psicologia, com 'minor' em Sociologia e "possivelmente em Filosofia" leva-a a seguir outro "grande interesse" que tem, "pelo comportamento humano", e por um futuro que possa passar "pela neuropsicologia ou a análise comportamental".