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ONU considera Conselho de Paz "amorfo" e apoia apenas foco em Gaza

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Foto Shutterstock

O secretário-geral da ONU, António Guterres, considerou hoje, através de um porta-voz, que o Conselho de Paz criado por Washington para Gaza é, por enquanto, "amorfo", enfatizando que o apoio ao órgão é "estritamente" pelo trabalho no enclave.

"O Conselho de Paz, em termos do que vai fazer, continua amorfo. Teremos que ver o que fará. Estamos a manter-nos fiéis ao nosso programa. A ONU tem a sua Carta, uma longa história de conquistas e um amplo conjunto de tarefas que devemos cumprir constantemente, e é isso que estamos a fazer", disse o porta-voz adjunto de Guterres, Farhan Haq, na sua conferência de imprensa diária em Nova Iorque.

Na quinta-feira, à margem do Fórum Económico Mundial em Davos, na Suíça, Donald Trump presidirá a cerimónia de assinatura que estabelecerá formalmente o Conselho de Paz, uma organização que o Presidente norte-americano afirma ter criado devido à falta de apoio das Nações Unidas para resolver guerras.

Embora tenha sido inicialmente concebido para supervisionar a implementação do cessar-fogo na Faixa de Gaza, Trump pretende expandir os poderes do Conselho de Paz e transformá-lo numa alternativa ao Conselho de Segurança da ONU.

No entanto, Haq salientou hoje que o Conselho de Segurança apoiou o Conselho de Paz "estritamente para o trabalho em Gaza" e enfatizou que o órgão "continua a cumprir essa resolução".

O porta-voz também afirmou que a ONU "não está preocupada com outras organizações" e destacou que, durante os seus 80 anos de existência, existiram inúmeras entidades que coexistiram com a ONU.

Até ao momento, pelo menos 35 dos cerca de 50 chefes de Estado e de Governo convidados concordaram em participar no Conselho de Paz, informou a Casa Branca na terça-feira, sem fornecer uma lista detalhada.

Entre os países que concordaram em tornar-se membros da organização estão Israel, Argentina e Egito, enquanto outras nações, como França, Noruega e Suécia, rejeitaram a iniciativa.

Outros países convidados, como a Rússia, o Brasil e a Espanha, continuam a analisar a proposta.

Na conferência de imprensa de hoje, Haq também respondeu às recentes críticas de Trump contra a instituição, indicando que a organização está a fazer "todos os possíveis" para melhorar o seu funcionamento.

"A ONU continuará a trabalhar incansavelmente pela paz, respeitando plenamente o direito internacional e realizando um esforço abrangente para abordar as causas profundas dos conflitos e garantir soluções sustentáveis para a paz", afirmou o porta-voz.