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Papa analisa convite para integrar conselho de paz de Trump

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A Santa Sé foi convidada a integrar o Conselho de Paz proposto pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, e o Papa Leão XIV está a analisar a proposta, revelou hoje o secretário de Estado do Vaticano. 

"Trump está a convidar vários países para participarem, e creio ter lido que a Itália também está a refletir sobre a possibilidade de aderir", indicou o cardeal Pietro Parolin. 

"Recebemos esse convite também. O Papa também o recebeu e estamos a avaliar o que fazer. Estamos a analisar a situação", acrescentou.

Apenas cerca de uma dúzia de países, incluindo Egito, Turquia e Israel, disseram que irão aderir ao Conselho de Paz. 

Trump quer criar um Conselho de Paz à sua medida para trabalhar na resolução de conflitos no mundo em concorrência com as Nações Unidas.

O preço de um lugar permanente é de mil milhões de dólares (854,3 mil milhões de euros, ao câmbio atual), de acordo com uma cópia do documento sobre o novo organismo obtida pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Trump tem sido muito crítico da ONU, criada em 1945, no rescaldo da II Guerra Mundial, que conta atualmente com 193 Estados-membros.

Os Estados Unidos são membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, juntamente com a China, o Reino Unido, a França e a Rússia, com direito de veto.

O Egito anunciou que o Presidente Abdel Fattah al-Sissi aceitou o convite de Trump para integrar o Conselho de Paz.

Também o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, disse que sim, à semelhança do rei Mohamed VI de Marrocos, do Presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed ben Zayed Al Nahyane, e do rei do Bahrein, Hamad ben Issa al-Khalifa.

Também aceitaram os presidentes da Argentina, Javier Milei, e do Azerbaijão, Ilham Aliyev, e os primeiros-ministros da Hungria, Viktor Orbán, e da Arménia, Nikol Pashinyan.

O círculo próximo do Presidente francês, Emmanuel Macron, respondeu na segunda-feira que a França não pode dar seguimento favorável ao convite nesta fase, o que levou Trump a ameaçar impor 200% de direitos alfandegários nos vinhos e champanhes franceses.

No dia seguinte, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse ter recebido um convite, mas que não se imaginava a participar ao lado da Rússia, dado que Vladimir Putin também figurava na lista de convidados.

A Noruega anunciou hoje que não participará.

Trump será o primeiro presidente do Conselho de Paz, cujos poderes previstos são muito extenso, e é o único habilitado a convidar outros chefes de Estado e de governo a integrar o Conselho, podendo revogar a sua participação, salvo em caso de veto por uma maioria de dois terços dos Estados-membros.

O conselho executivo, dirigido por Trump, incluirá sete membros, entre os quais o secretário de Estado, Marco Rubio, o emissário especial Steve Witkoff, o genro do Presidente, Jared Kushner, e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.

Um responsável norte-americano confirmou, sob a condição de não ser relevado o nome, que Trump poderá conservar a presidência, incluindo após o fim do mandato na Casa Branca, até que se demita.