Japão reactiva maior central nuclear do mundo 15 anos depois de Fukushima
A maior central nuclear do mundo foi reativada hoje no Japão, 15 anos depois do desastre nuclear de Fukushima, que obrigou 150.000 pessoas a abandonar as suas casas, para satisfazer as crescentes necessidades de eletricidade do país.
A central nuclear de Kashiwazaki-Kariwa (KK), a maior do mundo em termos de capacidade, foi reativada pela central de energia elétrica Tokyo Electric Power Company Holdings (TEPCO), que era também a operadora de Fukushima.
Os problemas de segurança de Fukushima, em 2011, levaram a preocupações públicas sobre as operações da central de Kashiwazaki-Kariwa, que também se encontra numa região isolada e propensa a sismos.
A central de Fukushima foi palco do de um desastre nuclear desencadeado por um terramoto e subsequente 'tsunami' no leste do Japão.
O desastre levou à criação de protocolos de segurança mais rigorosos para todas as centrais nucleares do país, que tiveram de suspender as operações até cumprirem as novas normas.
Só em 2015 é que o Japão reiniciou o seu primeiro reator após a crise.
Hoje, a PEPCO reativou o reator número 6, um dos dois reatores que receberam aprovação regulatória para retomar as operações, informou a agência de notícias japonesa Kyodo.
A reinicialização foi adiada um dia devido a um alarme defeituoso, que não soou durante um teste.
A Assembleia da Câmara Municipal de Niigata, onde se encontra a central, aprovou o reinício do sexto reator da central em dezembro passado, após a agência reguladora nuclear nacional ter dado a sua aprovação para o reinício de dois dos sete reatores do complexo.
Os reatores 6 e 7 foram submetidos a inspeções para reativação em 2017, mas a central foi entretanto interditada devido a deficiências de segurança contra ataques terroristas.
Em dezembro de 2023, as medidas adotadas para ultrapassar as lacunas de segurança foram aprovadas e, desde então, a operadora tem vindo a realizar procedimentos necessários para as colocar em funcionamento.
Com uma capacidade de mais de 8.000 megawatts (MW), a central de Kashiwazaki-Kariwa é uma componente fundamental do plano de fornecimento de energia da TEPCO e está alinhada com a estratégia promovida pelo Governo japonês, liderado por Sanae Takaichi, para impulsionar a energia nuclear de forma a atingir as suas metas de redução de emissões.
O retomar das operações acontece numa altura em que há preocupações com as condições de segurança da central nuclear de Hamaoka, operada pela Chubu Electric Power, devido a suspeitas de que a empresa tenha apresentado dados errados sobre a sua resistência aos sismos.
Na semana passada, a Autoridade de Regulação Nuclear do Japão (NRA) suspendeu a análise para o reinício das operações desta central, localizada a sudoeste de Tóquio.
A central, que está desativada desde 2011, é considerada uma das instalações nucleares potencialmente mais perigosas do mundo, por estar situada na interseção de quatro grandes placas tectónicas.