Rússia insta ONU a condenar ataque que matou 24 em Kherson
A Rússia instou a Organização das Nações Unidas (ONU) a "condenar publicamente" o ataque da Ucrânia com drones que fez pelo menos 24 mortos e 50 feridos na região ucraniana de Kherson controlada por Moscovo.
"Exigimos que o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, e o seu Gabinete, bem como os respetivos procedimentos especiais do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, condenem publicamente, o mais rapidamente possível, o monstruoso ataque terrorista perpetrado pelo regime de Kiev na região de Kherson", afirmou o Representante Permanente da Rússia junto da ONU em Genebra.
Num comunicado divulgado na plataforma de mensagens Telegram, Gennady Gatilov defendeu que "ocultar esta tragédia equivaleria a uma cumplicidade e participação abertas nos crimes sangrentos dos neobanderistas".
Esta é um referência a Stepan Bandera (1909-1959), líder da extrema-direita da Organização dos Nacionalistas Ucranianos, que alinhou com os movimentos fascistas e nazis durante a Segunda Guerra Mundial.
Na mesma mensagem, Gatilov condenou o ataque, que descreveu como "mais uma atrocidade insana perpetrada por [o Presidente ucraniano Volodymyr] Zelensky e pela sua clique, que há muito se tornaram irremediavelmente monstros sedentos de sangue".
O objetivo de Zelensky, alegou, "é agarrar-se ao poder a qualquer custo, desviar as atenções dos fracassos das forças armadas ucranianas na linha da frente e frustrar qualquer tentativa de alcançar soluções pacíficas para o conflito".
A Rússia acusou o exército ucraniano de ter realizado, durante a noite de Ano Novo, um ataque com drones na parte da região ucraniana de Kherson controlada por Moscovo, causando pelo menos 24 mortos.
Num comunicado, o Comité de Investigação russo afirmou que um café na aldeia de Khorly, na costa do Mar Negro da Ucrânia, tinha sido atingido por um ataque massivo de drones ucranianos.
O governador da região de Kherson, nomeado por Moscovo, Vladimir Saldo, afirmou no Telegram que pelo menos 24 pessoas foram mortas e "dezenas de outras" ficaram feridas.
O autarca publicou também imagens em que são visíveis vários cadáveres carbonizados e as ruínas de um edifício. Foram decretados dois dias de luto na região de Kherson sob controlo russo, segundo Vladimir Saldo.
As autoridades ucranianas ainda não reagiram às acusações.
A porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, acusou a Ucrânia de ter levado a cabo um "ataque terrorista" contra a população civil durante as celebrações do Ano Novo.
A aldeia de Khorly está localizada numa península à beira do ar Negro e ficou sob controlo russo no início da invasão lançada pelo exército russo contra a Ucrânia em fevereiro de 2022.
No outono de 2022, o exército ucraniano recuperou grande parte da região de Kherson aos soldados russos, incluindo a capital regional com o mesmo nome, durante uma contraofensiva.
Desde então, o rio Dnieper marca a linha de frente entre as duas regiões, e ataques mortais com drones ocorrem regularmente entre os dois lados.