Von der Leyen pede respeito pela soberania à delegação dos EUA em Davos
A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, transmitiu hoje à delegação do Congresso dos EUA em Davos a necessidade de "respeitar inequivocamente" a soberania da Gronelândia e Dinamarca, perante as ameaças de anexação pelo Presidente Donald Trump.
A política alemã reiterou esta posição num encontro com a delegação bipartidária do Congresso dos Estados Unidos presente no Fórum Económico de Davos, na Suíça.
"Isto é da maior importância para a nossa relação transatlântica", sublinhou, numa nota divulgada na rede social X.
Ursula Von der Leyen garantiu que a União Europeia (UE) continua "pronta para continuar a trabalhar em estreita colaboração com os Estados Unidos, a NATO e outros aliados, em estreita cooperação com a Dinamarca, para promover os nossos interesses comuns de segurança".
As delegações discutiram também o comércio e o investimento transatlânticos, com a líder da Comissão Europeia a considerar que estes são "um importante trunfo tanto para a economia da UE como para a dos EUA".
"As tarifas contrariam estes interesses comuns", apontou.
Von der Leyen adiantou também que as equipas da UE e EUA discutiram também os "esforços conjuntos para alcançar uma paz justa e duradoura na Ucrânia".
"Este processo beneficia de uma forte coordenação entre a UE e os EUA, desde as garantias de segurança até um caminho para a prosperidade", vincou.
Donald Trump insiste há meses que os Estados Unidos devem controlar a Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca (membro da NATO), considerando que qualquer coisa menos do que a ilha ártica estar em mãos norte-americanas seria inaceitável.
A Gronelândia, uma vasta ilha ártica com uma população de 57.000 habitantes, possui recursos minerais significativos, a maioria dos quais ainda inexplorados, além de uma localização estratégica.
As ameaças não alteram a posição do território, que se mantém fiel ao direito à autodeterminação e à soberania, insistiu o primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen.
Trump ameaçou impor tarifas de 10% sobre as importações de oito países europeus, incluindo França, Reino Unido e Alemanha, a partir de 01 de fevereiro devido ao apoio à Dinamarca, contrariando as suas ambições na Gronelândia, o que já teve impacto nas principais bolsas europeias.
As tarifas, que afetam alguns dos principais aliados de Washington na NATO, serão aumentadas para 25% a partir de 1 de junho até que se chegue a um acordo para o controlo completo total da Gronelândia.
A UE continua a defender o diálogo face às ameaças, avisando porém que está "pronta para reagir" e dispõe de instrumentos para o fazer.
Os líderes europeus reúnem-se na noite de quinta-feira numa cimeira extraordinária em Bruxelas para discutir as repetidas ameaças de Trump relativamente à Gronelândia e à imposição de tarifas.