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Portugueses em Angola vão às urnas e antecipam segunda volta

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Foto Shutterstock

Com o calor a convidar passar o dia nas praias de Luanda, muitos portugueses residentes em Angola foram hoje às urnas, antecipando uma segunda volta nas presidenciais e defendendo mais facilidades no exercício do direito de voto.

Nas duas secções de voto em Luanda, era visível desde manhã um fluxo contínuo de eleitores, sem enchentes, mas com uma participação regular que confirma o interesse da comunidade portuguesa no processo eleitoral.

Fonte consular disse à Lusa que as eleições presidenciais despertam sempre "bastante interesse", adiantando que foram recebidos vários pedidos de esclarecimento, nomeadamente sobre o local de recenseamento dos eleitores.

Segundo a mesma fonte, alguns cidadãos ficaram com a inscrição eleitoral inativa devido a alterações no Cartão de Cidadão, uma situação que "pode ser facilmente corrigida" junto do consulado português.

Ainda assim, houve quem não tenha conseguido hoje votar, como Francisco Carvalho, residente em Angola há cerca de três anos, mas ainda recenseado em Portugal, o que o obrigaria a ter recorrido ao voto antecipado.

"Não pude votar hoje e devia ter votado antecipadamente", disse à Lusa, reconhecendo que não procurou atempadamente a informação necessária.

"Vim votar hoje normalmente, achava que podia votar e não podia. Fica para a próxima volta", acrescentou, antecipando uma disputa renhida.

Mais informado estava Armando Antunes, residente em Angola há mais de 15 anos, que admite ter enfrentado dificuldades em eleições anteriores, sobretudo nas legislativas, devido às diferentes modalidades de voto no estrangeiro.

"O processo eleitoral com voto por correspondência é muito complicado", afirmou, apontando falhas como correspondência que não chega ou boletins devolvidos, situações que acabam por impedir muitos eleitores de votar.

Ainda assim, considera que houve melhorias e que o consulado tem estado "mais sensível" a estas questões, defendendo que as presidenciais são o ato eleitoral mais simples para votar no estrangeiro devido à modalidade presencial.

Armando Antunes defendeu necessidade de uniformizar os procedimentos eleitorais e sugeriu a introdução do voto eletrónico. "Sem sombra de dúvida. Acho que já há experiência em outros países [...] que iria facilitar muito a vida das pessoas", afirmou, lembrando que Angola tem um território extenso e que "há portugueses nas diferentes províncias" com dificuldades em deslocar-se a Luanda.

Armando Antunes que acredita igualmente numa segunda volta, apelou aos eleitores para que, mesmo com o convite das praias, não deixem de cumprir o seu dever cívico.

Alva, residente em Angola há cerca de 50 anos, foi uma das eleitoras que votou ainda antes das 11:00, considerando o processo simples e dizendo participar habitualmente nas eleições. Defendeu, contudo, maior divulgação das informações eleitorais, por entender que nem sempre chegam a toda a gente.

David Costa, residente em Angola há mais de uma década, também fez questão de votar e afirmou que a informação disponibilizada aos eleitores no estrangeiro é clara "desde que as pessoas procurem", embora admita que a participação poderia ser facilitada.

Relatou, por exemplo, constrangimentos anteriores devido à alteração da morada associada ao Cartão de Cidadão.

"Por negligência minha, automaticamente a minha morada ficou novamente em Portugal [...] não recebi o meu voto por correspondência e nesse momento não consegui cumprir o meu voto", contou. Para evitar situações semelhantes, defendeu que o recenseamento eleitoral esteja automaticamente associado ao Cartão de Cidadão e apontou também o voto eletrónico como solução para aumentar a participação.

Em Angola, cerca de 13 mil eleitores estão recenseados, numa comunidade de aproximadamente 114 mil portugueses registados no consulado, que votam este fim de semana nos consulados de Luanda e Benguela.

Segundo a fonte consular, o sábado foi "bastante animado", com perto de 500 eleitores, número que poderá ser superado hoje, domingo, dia tradicionalmente associado às eleições e em que se deve registar maior participação.