Presidente interina da Venezuela quer comité para defender direitos económicos no mundo
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, defendeu hoje a criação de um comité para defender os direitos económicos do país sul-americano junto das organizações internacionais, apontando que a economia venezuelana está sujeita a bloqueios e sanções estrangeiras.
Rodríguez solicitou autorização para a criação do comité durante um discurso ao Conselho Nacional de Economia Produtiva, transmitido pela emissora estatal VTV.
De acordo com a sua proposta, o organismo seria composto por representantes do poder executivo nacional, bem como por delegados do setor privado nas áreas do petróleo, agricultura, indústria, comércio, autarquias, setor bancário e setor de exportação não petrolífera.
A líder interina explicou que o objetivo do comité seria "defender os direitos económicos da Venezuela em organizações multilaterais e fóruns internacionais".
Delcy Rodriguez reiterou a sua proposta à Assembleia Nacional (AN, Parlamento) para aprovar três projetos de lei, incluindo uma alteração à Lei Orgânica dos Hidrocarbonetos e uma lei para simplificar os procedimentos.
Desde que assumiu a presidência interina, após a captura do presidente Nicolás Maduro durante o ataque militar norte-americano na Venezuela, em 03 de janeiro, Rodríguez iniciou um processo 'exploratório' para retomar as relações com os Estados Unidos.
O seu Governo interino, que Trump alega estar sob proteção de Washington, concordou em enviar milhões de barris de crude para os EUA para venda e abriu a indústria petrolífera ao investimento estrangeiro com o apoio do executivo republicano.
Também hoje, Delcy Rodríguez anunciou que o seu país vai exportar Gás de Petróleo Liquefeito (GPL) "pela primeira vez" na sua história, na sequência da assinatura de um acordo de comercialização, sem fornecer mais detalhes.
"A primeira molécula de gás da Venezuela será exportada", declarou, durante o mesmo discurso.
Em 03 de janeiro, as forças militares norte-americanas atacaram Caracas e três regiões próximas da capital, capturando Maduro e Flores, que foram levados para Nova Iorque, onde serão julgados por acusações relacionadas com narcoterrorismo.
A então vice-presidente executiva, Delcy Rodríguez, assumiu a presidência interina dois dias após o ataque, por ordem do Supremo Tribunal de Justiça.