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Madeira

Desigualdade no acesso aos cuidados paliativos preocupa

Catarina Pazes, presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, defende que esse acesso não se deve vincular "a um código postal"

Catarina Pazes, presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, foi um dos oradores convidados II Seminário Internacional e V Workshop de Cuidados Paliativos. 
Catarina Pazes, presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, foi um dos oradores convidados II Seminário Internacional e V Workshop de Cuidados Paliativos. , Foto DR

A presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos mostrou, esta manhã, alguma preocupação face à desigualdade no acesso aos cuidados paliativos em Portugal, uma realidade que acredita ser também aplicável à Madeira. 

Para Catarina Pazes, o acesso aos cuidados paliativos “é uma garantia da humanização dos cuidados de saúde para todas as pessoas”, graças às estratégias e formas de abordar o sofrimento que "ajudam a uma diferenciação na forma como se trata, mas, também, na forma como se lida e se ajuda a lidar com situações de crise e de doença grave, que trazem para a pessoa e para a família maior sofrimento de vária ordem". 

Além disso, vincou que este tipo de cuidados focam-se em "tratar sofrimento", tratando, sobretudo, a pessoa que tem a doença, que pode ser no final da vida ou noutro momento qualquer. 

Madeira tem 181 pessoas a beneficiar de cuidados paliativos mas há lista de espera

Neste conjunto incluem-se os 11 doentes que ocupam outras tantas camas existentes no Hospital Dr. João de Almada e outras 170 pessoas acompanhadas no domicílio

Marco Livramento , 15 Janeiro 2026 - 11:43

"O acesso a cuidados paliativos não é uniforme no País e acredito que não seja aqui, na Região Autónoma da Madeira. Conheço alguns profissionais que trabalham cá e todos os dias dão o seu máximo para levarem mais e melhores cuidados de saúde às pessoas e alcançarem mais pessoas a cada dia. Agora, aquilo de que estes profissionais e estas equipas precisam é, de facto, das condições necessárias para poderem alargar o seu trabalho, quer em recursos humanos, quer em condições logísticas para chegarem aos doentes, não só dentro do hospital, mas também em casa", salientou a oradora convidada.

Defende, por isso, a descentralização dos cuidados paliativos, levando-os até onde os doentes estão, sem que tenham de se deslocar. "Daquilo que tenho conhecimento, existem bons cuidados paliativos na Madeira, provavelmente precisam de condições e de mais recursos para poderem chegar a mais doentes, provavelmente há zonas da Região que estão mais a descoberto, porque isso é o que se passa no País", disse Catarina Pazes, reforçando que "é uma injustiça depender do código postal o acesso ou não a cuidados paliativos". 

Olhando o todo nacional, a presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos pede a constituição da Comissão Nacional de Cuidados Paliativos, de modo a que se consubstancie a estratégia nesta área e de definam uma estratégia mais clara e equitativa.