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Madeira

Madeira tem 181 pessoas a beneficiar de cuidados paliativos mas há lista de espera

Neste conjunto incluem-se os 11 doentes que ocupam outras tantas camas existentes no Hospital Dr. João de Almada e outras 170 pessoas acompanhadas no domicílio

Micaela Freitas participou na sessão de abertura dos trabalhos do II Seminário Internacional e V Workshop de Cuidados Paliativos, que decorre esta quinta-feira, no auditório da Reitoria da UMa, no Colégio dos Jesuítas. 
Micaela Freitas participou na sessão de abertura dos trabalhos do II Seminário Internacional e V Workshop de Cuidados Paliativos, que decorre esta quinta-feira, no auditório da Reitoria da UMa, no Colégio dos Jesuítas. , Foto DR

O Serviço de Saúde da Região (SESARAM), através da sua Unidade de Cuidados Paliativos e das equipas que prestam apoio nesse âmbito no domicílio, acompanham, actualmente, 181 pessoas.

O número foi apontado por Micaela Freitas, na manhã desta quinta-feira, à margem da sessão de abertura do II Seminário Internacional e V Workshop de Cuidados Paliativos, uma iniciativa da Escola Superior de Saúde da Universidade, da Madeira (UMa) e da Secção Regional da Madeira da Ordem dos Enfermeiros, que decorre, ao longo do dia, no Colégio dos Jesuítas.

A secretária regional de Saúde e Protecção Civil reconhece, ainda assim, que há lista de espera para estes cuidados, cuja demora varia entre um a dois meses. Sem precisar o número de doentes que aguarda por uma vaga, sobretudo na Unidade de Cuidados Paliativos, a governante realçou que essa situação é, no seu entender, aliviada pelos cuidados no domicílio, sustentando a importância das demais repostas que possam existir na comunidade.

Ainda assim, cada caso é avaliado de forma cuidada, no sentido de lhe ser assegurada a melhor resposta. “Nós temos em conta a situação da pessoa. Se é uma pessoa que está numa fase final de vida, obviamente que priorizamos essas situações, não podem ficar à espera”, apontou a secretária regional, recusando uma análise puramente estatística.  

Neste momento, a Região dispõe de 11 camas dedicadas aos cuidados paliativos, sendo o serviço nessa Unidade, que funciona no Hospital Dr. João de Almada, assegurado por uma equipa multidisciplinar composta por 40 elementos, entre médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais ou assistentes operacionais, havendo a vontade de reforçar as equipas. 

Mas, como salientou a secretária regional de Saúde e Protecção Civil, o acompanhamento dado aos doentes e às famílias vai além dessa Unidade, com cuidados prestados no domicílio, que chegam a 171 pessoas. “Os cuidados paliativos não se resumem a um quarto de hospital”, vincou a governante. Destaca-se, nesse âmbito, a equipa de apoio psico-social, que, em parceria com o Núcleo Regional da Liga Portuguesa Contra o Cancro, acompanha os doentes e as respectivas famílias.

Olhar a pessoa e não a doença

Para Isabel Gomes da Silva, professora da Escola Superior de Saúde da UMa, e uma das responsáveis pela organização do II Seminário Internacional e V Workshop de Cuidados Paliativos, é fundamental que os profissionais de saúde que trabalham na área dos cuidados paliativos olhem a pessoa não e a doença, colocando o doente no centro da sua intervenção e não se foque apenas na doença. 

É nesse âmbito que se insere este encontro de hoje, que teve na sua génese a necessidade de antigos estudantes em aprofundar os seus conhecimentos nesta área, com vista à melhoria do seu desempenho junto dos doentes. Essa tem sido, como notou a docente, uma preocupação com reflexo nos programas curriculares da licenciatura em enfermagem da UMa. "O que nós ensinamos essencialmente é que os estudantes tenham a pessoa no centro e não a doença e que é possível acompanhar com qualidade e humanização até ao final", vincando que os cuidados paliativos não se destinam exclusivamente a pessoas com doença oncológica. "Os paliativos dirigem-se a pessoas com doença crónica, prolongada no tempo, crianças ou adultos, ao longo do seu ciclo de vida", destacou. 

É sempre uma formação que passa da cabeça, do cognitivo e do saber, que desça um pouco mais, indo ao centro de decisão que é o coração, no sentido relacional e do afecto, e que depois passe à acção, que são as mãos. Formamos para que os nossos estudantes, já como enfermeiros, cuidem com ciência, com arte criativa, mas com muita humanidade. Não estamos a falar de cuidados de estar apenas de mão dada e muito humanos, estamos a falar de cuidados altamente rigorosos, científicos, para a satisfação das necessidades das pessoas.  Isabel Gomes da Silva, professora da Escola Superior de Saúde da UMa

Sobre as temáticas em destaque, Isabel Gomes da Silva realçou os quatro pilares dos cuidados paliativos que são frequentemente ensinados aos alunos de enfermagem, nomeadamente a comunicação, o controlo de sintomas, o trabalho em equipa e a relação com a família, sendo que à volta deles vão sendo acoplados os conteúdos teóricos e práticos, sempre com uma base técnico-científica devidamente validada. 

O encontro que hoje tem lugar no Funchal conta com dois grandes momentos. Durante a manhã teremos as conferências dos dois palestrantes convidados. José Carlos Bermejo, director do Centro para la Humanización de la Salud- Tres Cantos, de Madrid, abordará o tema ‘Cuidados Paliativos como garante da humanização’; já Catarina Pazes, presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, falará sobre o ‘Acesso Universal aos Cuidados Paliativos: Assegurar a Humanização’. 

No período da tarde teremos algumas intervenções culturais, através da música e da pintura, como forma de vincular a humanização à contemplação do belo e da arte. "São acessos de contemplação que também nos humanizam", salienta a professora da UMa, que nota que esses serão momentos "muito dinâmicos, que ajudarão a plateia a entender e a deixar-se guiar por esta proposta", que complementa as apresentações do período da manhã.