Execução de manifestante detido nos protestos foi adiada
A execução de um iraniano detido durante protestos, que organizações não-governamentais (ONG) e Washington disseram que podia ocorrer hoje, foi adiada, anunciou um grupo de defesa dos direitos humanos, alertando que a vida do condenado continua em perigo.
A execução de Erfan Soltani, de 26 anos, estava marcada hoje, mas foi adiada, adiantou a organização de defesa dos direitos humanos Hengaw, com sede na Noruega, que citou a família do jovem.
A ONG alertou, no entanto, que continua a haver "sérias e persistentes preocupações" sobre o seu direito à vida.
O presidente norte-americano, Donald Trump, que ameaçou com uma ação militar contra Teerão pela repressão dos protestos, disse anteriormente que tinha sido informado por "uma fonte fidedigna" de que "não havia planos para uma execução", sem fornecer mais detalhes.
"Não há qualquer plano para execuções, nem uma execução, nem execuções --- isso foi-me informado por fontes fidedignas", adiantou.
Antes, o chefe do poder judicial iraniano sugeriu que os manifestantes detidos nos protestos das últimas semanas no país serão sujeitos a julgamentos sumários e execuções.
Enquanto ativistas alertam que os enforcamentos dos milhares de detidos nas manifestações poderão ocorrer em breve, o responsável judicial da República Islâmica, Gholamhossein Mohseni-Ejei, defendeu tratamento "rápido" dos casos, num vídeo partilhado online pela televisão estatal iraniana.
Um diplomata árabe do Golfo disse à Associated Press (AP) sob anonimato que os principais governos do Médio Oriente têm desencorajado a administração Trump de iniciar uma guerra com o Irão, temendo "consequências sem precedentes" para a região, que se poderiam transformar numa "guerra em grande escala".
O Irão ameaçou realizar um ataque preventivo, alegando, sem apresentar provas, que Israel e os Estados Unidos orquestraram os protestos.
Segundo a agência AP, a população no Irão permanece intimidada, enquanto agentes de segurança à paisana circulam por alguns bairros, embora a polícia anti-distúrbios e membros da força paramilitar voluntária Basij, ligada à Guarda Revolucionária, parecessem ter regressado aos seus quartéis.
O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades do país.
As autoridades iranianas receberam inicialmente com compreensão os protestos, mas entretanto endureceram a sua posição e repressão contra os manifestantes, que passaram a ser tratados como terroristas associados aos Estados Unidos e Israel, a que se juntaram entretanto relatos de condenações à pena de morte e execuções extrajudiciais de manifestantes detidos.
A Iran Human Rights (IHRNGO) elevou hoje para 3.428 mortes registadas nos protestos que abalam o Irão há mais de duas semanas, alertando que são casos que conseguiu verificar e que o número real deverá ser superior.