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Explicador Madeira

Falar de divórcio com os mais novos

A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) lançou recentemente um vídeo pedagógico dirigido às crianças, com o objectivo de explicar, de forma simples, clara e ajustada à sua idade, o que significa o divórcio dos pais e quais as emoções e mudanças que podem surgir nesse processo.

A iniciativa surge num contexto em que as separações e reorganizações familiares são cada vez mais frequentes, reforçando a importância de apoiar pais, mães e outros cuidadores na forma como comunicam esta realidade às crianças, salvaguardando o seu bem-estar emocional.

Neste Explicador, abordamos esse mesmo tema e o vídeo da autoria da Ordem dos Psicólogos Portugueses que responde às dúvidas, feitas pela voz de uma criança, mais comuns, desmontando medos, inseguranças e sentimentos muitas vezes difíceis de verbalizar.

Por que razão o divórcio entre os pais acontece?

Segundo a explicação apresentada, um divórcio acontece quando os adultos percebem que já não conseguem viver felizes juntos. Em alguns casos, discutem com frequência, noutros, afastam-se ou sentem que deixaram de funcionar bem como equipa.

A Ordem dos Psicólogos Portugueses sublinha que o divórcio não é uma decisão fácil e que, normalmente, é pensada durante muito tempo. Trata-se de uma escolha dos adultos, feita com o objectivo de que cada um “possa ficar melhor e mais tranquilo”.

A separação é culpa dos filhos?

A resposta é inequívoca: não. As crianças não causam o divórcio dos pais. Não é por se portarem mal, por não estudarem o suficiente ou por não ajudarem em casa. As razões da separação dizem respeito apenas à relação entre os adultos. A mensagem central é tranquilizadora: os filhos não têm qualquer culpa.

Os pais deixam de gostar dos filhos quando se divorciam?

De maneira nenhuma. O vídeo reforça que, embora os pais possam deixar de viver juntos, continuam a ser pais para sempre. O amor pelos filhos não muda com o divórcio. A OPP explica que o amor entre adultos é diferente do amor entre pais e filhos, que é permanente. A família continua a existir, ainda que com uma organização diferente.

O que muda e o que se mantém na vida das crianças

Com a separação, algumas mudanças são inevitáveis. As crianças podem passar a viver alguns dias com a mãe e outros com o pai ou ver as suas rotinas ajustadas. Ainda assim, muitas coisas permanecem iguais, como a escola, os amigos, as brincadeiras e a aprendizagem. O ponto essencial é reforçado: tanto a mãe como o pai continuam a cuidar dos filhos.

“Eu queria que os meus pais continuassem juntos”

Este sentimento é descrito como normal. No entanto, a decisão de se separar pertence exclusivamente aos adultos. As crianças não têm de tentar juntar os pais, escolher lados ou ficar no meio de discussões. O vídeo sublinha que o papel da criança não é resolver problemas de adultos, mas sim ser filho. Falar sobre o que sente e procurar apoio em adultos de confiança é fundamental.

Tristeza, raiva e confusão são emoções esperadas

A Ordem dos Psicólogos Portugueses alerta que é natural que as crianças se sintam tristes, zangadas ou confusas face ao divórcio dos pais. O importante é não guardar tudo para si. Falar com a mãe, o pai, amigos, professores ou um psicólogo pode ajudar. Chorar, desabafar, brincar e manter o contacto com os amigos são estratégias que contribuem para o bem-estar emocional, lembrando que, com o tempo, a adaptação acontece.

As saudades também fazem parte

Sentir saudades do pai ou da mãe quando não se está com eles é uma reação natural. O vídeo sugere que, nesses momentos, as crianças falem sobre o que sentem e combinem formas de manter o contacto, como telefonemas, mensagens ou videochamadas. Os pais também sentem saudades e procuram manter-se próximos, mesmo quando não estão fisicamente presentes.

Vídeo lançado pela Ordem dos Psicólogos Portugueses