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Trump garante agir "com muita firmeza" se manifestantes detidos forem executados

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FOTO BONNIE CASH ; POOL/EPA

O Presidente norte-americano, Donald Trump, garantiu hoje que irá agir "com muita firmeza" caso as autoridades iranianas comecem a executar pessoas presas durante os protestos que abalam a República Islâmica.

"Agiremos com muita firmeza se o fizerem", frisou o chefe de Estado norte-americano, quando questionado por um repórter da CBS News sobre a possibilidade de execuções por enforcamento já na quarta-feira.

O Ministério Público de Teerão adiantou hoje que um número não especificado de manifestantes será julgado por "moharebeh" (guerra contra Deus, em persa), uma das acusações mais graves no Irão, que prevê a pena de morte, segundo um comunicado divulgado pela televisão estatal.

O Irão ocupa o segundo lugar no mundo em número de execuções, apenas atrás da China, segundo as ONG: em 2025, o país executou pelo menos 1.500 pessoas condenadas à morte, de acordo com a organização não-governamental (ONG) Iran Human Rights (IHR).

A ONG citou o caso de Erfan Soltani, de 26 anos, detido na semana passada na cidade de Karaj, perto de Teerão, que, segundo a sua família, já foi condenado à morte e poderá ser executado já esta quarta-feira.

Doze pessoas foram executadas durante a última grande onda de protestos, entre 2022 e 2023, segundo esta ONG sediada na Noruega. Outras doze foram executadas por espionagem para Israel desde a guerra de junho entre os dois países inimigos.

A IHR aumentou hoje para 734 mortes verificadas nos protestos antigovernamentais no Irão, mas admite que o número real pode atingir milhares, como já indicam outras estimativas entretanto divulgadas, e estimou que o número de detidos ultrapassou os 10.000.

"Com base nos dados disponíveis e na verificação de informações obtidas de fontes fidedignas, incluindo o Conselho Supremo de Segurança Nacional e o gabinete presidencial, a estimativa inicial das instituições de segurança da República Islâmica é de que pelo menos 12.000 pessoas foram mortas neste massacre em todo o país", indicou a emissora multilingue por satélite, com sede em Londres, na sua página 'online'.

A IHR observou, no entanto, que, devido ao bloqueio total da Internet no país desde a noite de quinta-feira e às "severas restrições no acesso à informação", a verificação independente destes números "é extremamente difícil".

Steve Witkoff, enviado de Donald Trump, reuniu-se no fim de semana com Reza Pahlavi, filho do último Xá do Irão, deposto em 1979, para discutir a onda de protestos na República Islâmica, noticiou hoje o portal Axios.

O encontro, confirmado ao portal por um alto responsável norte-americano, sugere uma tentativa de Pahlavi para se posicionar como líder de uma transição, caso o regime venha a cair, noticiou a agência Efe.

O filho mais velho de Mohammad Reza Pahlavi, que governou o Irão até à Revolução Islâmica de 1979, destacou hoje que é "essencial ouvir o povo iraniano, que deseja o fim do regime".

Trump anunciou hoje o cancelamento de todos os encontros com as autoridades iranianas até que "o assassinato sem sentido de manifestantes cesse", e incentivou os manifestantes a continuarem a protestar, garantindo , sem adiantar mais pormenores, que "a ajuda está a caminho".

A equipa de segurança nacional da Casa Branca realizou uma reunião para discutir as opções de resposta aos protestos, na qual o presidente não participou.

Segundo fonte consultada pelo Axios, as deliberações dentro do Governo estão numa fase "relativamente inicial".