Albuquerque intercede por luso-descendente preso na Venezuela
O presidente do Governo Regional irá contactar, amanhã, por carta, o ministro dos Negócios Estrangeiros e o embaixador dos Estados Unidos da América em Lisboa
O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, está “fortemente empenhado e comprometido” na libertação de dois cidadãos de origem madeirense actualmente detidos na Venezuela, garantiu esta terça-feira o director regional das Comunidades e Cooperação Externa, Sancho Gomes, após uma audiência realizada no Palácio do Governo.
Segundo o responsável, o presidente do Executivo regional irá enviar ainda esta semana uma carta ao ministro dos Negócios Estrangeiros, solicitando intervenção diplomática “por todas as vias possíveis”, com o objectivo de sensibilizar o Governo venezuelano para a libertação de Fernando Venâncio e do ex-coronel Juan Francisco Rodriguez dos Ramos.
“Existe uma janela de oportunidade que importa aproveitar, face à aparente boa vontade manifestada pelas autoridades venezuelanas relativamente à libertação de presos políticos”, afirmou.
Paralelamente, o presidente do Governo Regional irá também contactar, por carta, o embaixador dos Estados Unidos da América em Lisboa, procurando mobilizar influência diplomática adicional. “Vamos tentar sensibilizar o embaixador norte-americano para utilizar a sua influência diplomática no sentido de garantir a libertação destes nossos concidadãos, cujas famílias estão profundamente angustiadas com o seu futuro”, sublinhou Sancho Gomes.
O director regional frisou que o Governo Regional acompanha a situação desde 2023, altura em que foi informado dos casos. “Desde esse momento desenvolvemos os mecanismos diplomáticos ao nosso alcance. Informámos o Consulado-Geral em Caracas, que esteve na prisão e esteve com o senhor Juan, e demos conhecimento ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, através da Secretaria de Estado das Comunidades”, explicou, acrescentando que o processo nunca esteve parado.
Sancho Gomes reconheceu, no entanto, que a libertação dos detidos depende exclusivamente das autoridades venezuelanas. “Não depende da boa vontade de Portugal, depende sempre do governo do país estrangeiro. Ainda assim, estamos convictos de que o Governo da República também fez tudo o que estava ao seu alcance para garantir acompanhamento e proteção consular, bem como tentar assegurar a libertação”, disse.
Questionado sobre o facto de outros países, como Espanha e Itália, já terem conseguido a libertação de cidadãos nos últimos dias, o responsável esclareceu que os critérios adoptados pelo Governo venezuelano não são conhecidos. “Não sabemos qual é o critério que está a ser assumido. De acordo com as autoridades venezuelanas foram libertados 116 presos políticos, não assumidamente políticos como é evidente, mas de acordo com algumas ONG's foram só 46", referiu.
Apesar de Juan Francisco Rodriguez dos Ramos ter sido condenado a 30 anos de prisão, Sancho Gomes mostrou-se optimista. “Temos profunda confiança na inocência destes nossos dois concidadãos. Há um clima de esperança, partilhado também pelas famílias, e é esse optimismo que nos faz agir”, afirmou, reiterando que esta é “uma janela de oportunidade como nunca vimos antes”.
O director regional garantiu, por fim, que a pressão diplomática irá continuar. “ O que nos comprometemos é que o presidente do Governo Regional está pessoalmente e politicamente comprometido e continua a pressão diplomática por todos os canais que temos ao nosso alcance no sentido de garantir a protecção, o acompanhamento e a libertação tão breve quanto possível, destes nossos dois cidadãos", terminou.