Ventura rejeita campanha de ataques depois de os fazer a adversários no passado
O candidato presidencial André Ventura defendeu hoje que a campanha não deve ser feita de ataques, depois de no passado já ter classificado adversários políticos de "contrabandista", "fantasma" ou de "avô bêbado".
Em declarações aos jornalistas antes de uma arruada em Viseu, o também presidente do Chega recusou uma campanha em que os adversários passem o tempo a falar "mal uns dos outros" e considerou que "ninguém quer" isso.
"Eu quero fazer uma campanha elevada, discutir as causas e os problemas do país. É isso que eu quero e acho que as pessoas querem isso", disse, rejeitando uma campanha em que esteja a falar do que pensa de António Costa, Gouveia e Melo, Seguro ou Marques Mendes -- figuras políticas que tem criticado ao longo da campanha.
O candidato presidencial recusou que faça esses ataques, mesmo depois de ser recordado por uma jornalista da SIC de declarações passadas a adversários políticos.
"A SIC é muito mais experiente em dizer mal de mim do que eu dos outros adversários", respondeu André Ventura, aplaudido por militantes que o rodeavam enquanto falava aos jornalistas.
No entanto, nas presidenciais de 2021, em que também concorreu, André Ventura socorreu-se por diversas vezes de insultos pessoais a outros concorrentes e adversários, falando de Jerónimo de Sousa (PCP) como "avô bêbado que a gente tem em casa" e de Marcelo Rebelo de Sousa como "uma espécie de fantasma".
Nessa campanha, o candidato apelidou Ana Gomes (PS) de "contrabandista" e de "cigana", falou de Marisa Matias (BE) como a candidata "marijuana" e dirigiu-se a João Ferreira como "camarada de plástico" com "ar de operário beto de Cascais".
Em declarações aos jornalistas e perante as críticas de António José Seguro, apoiado pelo PS, que o acusa de ser um extremista, André Ventura acusou-o de procurar meter medo aos eleitores.
"Isso não é de agora. António Costa fez o mesmo, Pedro Nuno Santos fez o mesmo. Os líderes do PS têm-se especializado nisso, que é dizer se ganhar o André Ventura ou se o Chega ganhar vem aí o racismo, vem aí o fascismo, vem aí o regresso ao passado", vincou.
Ao mesmo tempo que recusava uma campanha de ataques, caso ganhe, acusou Seguro de estar preocupado com o fim "dos tachos".
"Podemos passar o resto da campanha com António José Seguro a chamar-me de fascista e racista e eu a dizer que ele é um tachista e agarrado à corrupção de regime ou podemos discutir temas importantes", disse, criticando, mais uma vez, a criação de mais vice-presidentes nas Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) e de um acordo entre PS e PSD para a distribuição desses lugares.
"Concorda ou não que estas CCDR se tenham tornado depósitos de antigos autarcas do PS e do PSD e de reformas douradas? Concorda ou não com o aumento de 25 vice-presidentes das CCDR?", questionou, dirigindo-se a Seguro.