EUA anunciam ataques a três navios na América Latina e Caraíban
Os Estados Unidos anunciaram na quarta-feira novos ataques contra alegados alvos de tráfico de droga, realizados no dia anterior no âmbito das suas operações militares na América Latina e Caraíbas, visando três navios e matando três pessoas.
As três pessoas "a bordo do primeiro navio foram mortas no primeiro ataque" e as que seguiam nos outros dois "saltaram para o mar e escaparam antes que os ataques subsequentes afundassem as suas embarcações", relatou na rede X o Comando Sul das forças norte-americanas, que se ocupam da América Latina e Caraíbas.
O Comando Sul descreveu que esta operação ocorreu no dia 30 de dezembro em "águas internacionais", embora não tenha especificado se aconteceu no sul das Caraíbas ou no leste do Pacífico, onde destruiu cerca de 35 embarcações desde setembro.
O texto descreve que os serviços de informação norte-americanos confirmaram que as três embarcações "estavam a navegar por rotas conhecidas de tráfico de droga e tinham transferido estupefacientes entre si antes dos ataques".
As imagens que acompanham a mensagem no X mostram a destruição de um primeiro barco em movimento, seguido de outros dois que parecem estar à deriva.
O Comando Sul declarou que, após os bombardeamentos, "notificou imediatamente a Guarda Costeira dos Estados Unidos para ativar o sistema de busca e salvamento" dos sobreviventes.
O ataque hoje relatado é o mais recente de uma série de operações deste tipo no âmbito da Operação Lança do Sul, que já matou mais de uma centena de pessoas acusadas por Washington de transportar droga para os Estados Unidos.
A legalidade da operação tem sido amplamente questionada por alegados indícios de execuções extrajudiciais por parte dos militares norte-americanos.
Desde o verão que o Pentágono mantém um destacamento militar sem precedentes no sul das Caraíbas, o maior em décadas, enquanto Washington tem vindo a alertar que o seu objetivo é que Maduro e os seus colaboradores, acusados ??de liderar um narcoestado, renunciem ao poder.
A administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, começou a argumentar nas últimas semanas que o regime de Caracas roubou instalações e bens de empresas petrolíferas norte-americanas na Venezuela e anunciou que vai confiscar petroleiros que transportam crude venezuelano, o que já aconteceu em duas ocasiões.
A tudo isto acresce o ataque, enigmaticamente anunciado por Trump esta semana, a um cais na costa venezuelana alegadamente utilizado pelo gangue Tren de Aragua, o que representaria o primeiro bombardeamento de um alvo em território venezuelano por parte de Washington.
O líder venezuelano nega as acusações e acusa os Estados Unidos de tentarem destabilizar o seu Governo e apoderar-se das reservas de petróleo do país.
A par da pressão militar, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou, na quarta-feira, sanções contra quatro empresas envolvidas no transporte de crude venezuelano.
O Departamento do Tesouro norte-americano disse ter identificado "quatro petroleiros associados" a estas empresas como "ativos bloqueados", ou seja, que devem ser congelados mas que não podem ser confiscados, pois permanecem propriedade das entidades sancionadas.
Washington considera várias destas embarcações como parte da chamada "frota fantasma" que Caracas utiliza para vender crude e que "continua a fornecer recursos financeiros que alimentam o regime narcoterrorista de Maduro".